Obama avisa Putin que estratégia russa para a Síria é “receita para o desastre”

O presidente dos EUA, Barack Obama, considera que os bombardeamentos russos na Síria “só fortalecem” o autoproclamado Estado Islâmico, porque Moscovo não estabelece diferenças entre os opositores de Bashar al-Assad e entende que todos “são terroristas”, o que, do seu ponto de vista, é uma “receita para o desastre”.

A abordagem russa está, para ele, votada ao fracasso e os ataques à “oposição moderada vão ser contraproducentes”, disse, numa conferência de imprensa na Casa Branca, esta sexta-feira à noite – dia 3 dos ataques russos aos grupos que combatem o Presidente Bashar al-Assad. Os EUA vão continuar a “ir atrás” do  Estado Islâmico (EI), a apoiar a oposição moderada e a rejeitar a “teoria” russa de que “todos são terroristas”, afirmou também.

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Obama disse que que está preparado para trabalhar com a Rússia, e também com o Irão, para encontrar uma solução política para a Síria. Mas, para que isso aconteça, o Presidente russo, Vladimir Putin, deve reconhecer que é preciso “haver uma mudança” de Governo em Damasco. “O problema é Assad e a brutalidade que infligiu ao povo sírio.”

O líder norte-americano disse não ter ilusões sobre a catástrofe humanitária que a Síria é, mas acrescentou que aprendeu noutras guerras recentes que não é o reforço do envolvimento militar que resolve problemas políticos.

Assad não descura também a frente diplomática e fez saber que o regime sírio está disposto a participar em discussões preparatórias de uma conferência de paz, embora tenha sérias reservas quanto a uma solução política negociada para a guerra. “O terrorismo não pode ser combatido [só] com ataques aéreos”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Walid al-Moulem, nas Nações Unidas.

“Os ataques aéreos são inúteis se não forem coordenados com o exército, a única força na Síria que combate o terrorismo”, disse Moulem, na Assembleia Geral, em Nova Iorque. As acções da coligação internacional liderada pelos EUA “só serviram para o espalhar”, acrescentou.

No terreno, a aviação russa bombardeou pela primeira vez alvos na província de Raqqa, no Norte, onde o EI tem a sua “capital”, na noite de quinta-feira. Já esta sexta, foi anunciada a destruição de um posto de comando e de um paiol jihadista em Hama, a Oeste. Mas esses ataques não venceram a desconfiança ocidental dos bombardeamentos que Moscovo diz visarem tanto jihadistas como “todos os outros grupos terroristas”.

O anúncio de que a aviação russa fez bombardeamentos na província de Raqqa, foi feito pelo Ministério da Defesa de Moscovo. Bombardeiros tácticosSukhoi-34 visaram, entre outros alvos, “um posto de comando camuflado em Kasrat Faraj”. Foi também atingido um “campo de treino” próximo de Maadan Jadid, indica um comunicado.

Os ataques de quinta-feira foram confirmados pela Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma das principais fontes de informação sobre o que ocorre no interior da Síria, segundo o qual foram mortos pelo menos 12 jihadistas. Os raides aéreos levaram ao cancelamento das orações de sexta-feira.

Foram também anunciados bombardeamentos nas províncias de Alepo, no Norte, Idlib (Nordeste) e Hama. Mas os lugares indicados pelo Governo russo como tendo sido alvos do Estado Islâmico são, segundo o observatório, ocupados pela Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, e por outros grupos anti-Assad.

O anúncio dos ataques em Raqqa não basta para vencer as desconfianças dos EUA e dos seus aliados de que a Rússia estará a atacar sobretudo opositores do Presidente sírio, onde o Estado Islâmico tem pouca presença. “A operação foi inteiramente montada contra posições do [moderado] Exército Livre da Síria”, disse Ahmet Davutoglu, primeiro-ministro da Turquia.

“Acabem imediatamente”

Sete dos países que integram a coligação internacional – EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Qatar, Arábia Saudita e também a Turquia – apelaram a Moscovo para acabar “imediatamente” com os ataques contra a oposição a Assad e concentrar esforços no EI, que controla metade de um país em guerra há quatro anos. Ataques que não visem o grupo islamista só “alimentam mais o extremismo e a radicalização”, disseram.

O Governo de Moscovo admite prolongar por “três a quatro meses” os bombardeamentos, disse Alexei Pouchkov, presidente da comissão de assuntos estrangeiros da Duma, a câmara baixa do Parlamento. Ao mesmo tempo, a Rússia – acusada de querer ajudar Assad a permanecer no poder – entregou no Conselho de Segurança um projecto de resolução que associaria o Governo de Damasco a uma coligação alargada contra os jihadistas.

via:http://www.publico.pt/mundo/noticia/russia-bombardeou-na-provinciafeudo-do-estado-islamico-1709856

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