Todo país de “infiéis” pode ser alvo do Estado Islâmico, incluindo o Brasil, afirma diplomata libanesa

A
fraca resposta internacional no combate ao EI (Estado Islâmico) desde a
proclamação do califado, que nesta segunda-feira (29) completa um ano, fez com
o que o grupo extremista passasse de um perigo regional, com atuação apenas
dentro da Síria e do Iraque, a uma potencial ameaça global devido ao número de
seguidores que o EI conquista em todo o mundo. Para a diplomata libanesa Abir
Taha, “todos os países onde há considerados infiéis podem se tornar alvo de
atentados”.

O EI já está presente em várias partes do mundo, com células adormecidas que
podem, a qualquer momento, atacar o coração do mundo ocidental, incluindo o
Brasil. Como controlar, por exemplo, a onda de estrangeiros que estão se
juntando ao grupo, se eles quiserem voltar para seus países? Ou ainda, como
diferenciar terroristas em meio ao grande número de refugiados que deixa a
região?

 
Na
última sexta-feira (26), dois ataques terroristas fora da região de domínio do
EI foram reivindicados pelo grupo: na Tunísia, um homem armado abriu fogo
contra turistas em um hotel e matou 39 pessoas; no Kuwait, 27 morreram e 227
ficaram feridas em um ataque contra uma mesquita xiita.
Como
as tropas iraquianas e sírias já provaram ser incapazes de deter o avanço do EI
sozinhas, a diplomata acredita que o grupo só poderá ser combatido com a ajuda
financeira e militar internacional.

O terrorismo é um problema internacional, por isso, a guerra ao terrorismo deve
ser travada por uma coalizão verdadeiramente internacional de Estados
determinados a lutar. Infelizmente, hoje não existe uma guerra internacional
contra o terrorismo.
Entre
os principais empecilhos para que essa guerra seja travada, está o fato de que
a definição do que é terrorismo e de quem é terrorista muda de acordo com os
interesses de que está fazendo essa definição.

O termo terrorismo tem sido utilizado arbitrariamente como uma acusação
política por governos para descrever os atos de seus inimigos, e, portanto, a
sua definição não tem o aspecto legal. Em outras palavras, o “terrorista” está
sempre nos olhos de quem vê.
Diante
desse problema, Abir lançou o livro Terrorismo Definido, que será publicado no
Brasil pela editora Simonsen. Nele, a diplomata tenta fazer uma definição de
terrorismo que possa ser “universal”.

Os atos terroristas violam os direitos fundamentais do homem e os princípios
enunciados na Carta das Nações Unidas e da Declaração Universal dos Direitos
Humanos. Significa qualquer uso ilegal da força, atos criminosos de violência
ou ameaça da mesma por qualquer motivo, alvejando deliberadamente a vida, a
liberdade e/ou a propriedade de civis que não estão diretamente envolvidos em
qualquer atividade ilegal ou hostil e que visam espalhar o terror.
O
que é um califado?*
Depois
da morte do profeta Maomé, em 632, seus seguidores concordaram com a criação do
califado, que significa sucessão em árabe, como um novo sistema de governo.
O
califa é literalmente o sucessor do profeta como chefe da nação e líder da
“umma”, comunidade de muçulmanos, e tem o poder de aplicar a lei
islâmica (sharia) na terra do Islã.
O
califado era o sistema político comum da comunidade muçulmana desde o
nascimento do islamismo com o profeta Maomé e que durou, em diferentes formas e
lugares, até o final do califado otomano, que Mustafa Kemal Atatürk aboliu no
início do século 20 para criar a nova república da Turquia.

*(Com
informações de agências internacionais)
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