Segundo professor da Unicamp: São Paulo caminha para uma Guerra de Água

Sem
chuvas que recomponham ao menos parcialmente reservatórios e a vazão dos rios,
a Grande São Paulo e a Região Metropolitana de Campinas (RMC) caminham para uma
guerra da água ao longo de 2015. A advertência é do professor Antônio Carlos
Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, que lamenta a “ausência
total de planos de contingência e a centralização das decisões sobre a crise
hídrica no governo de São Paulo”. Os reservatórios do Sistema Cantareira,
que abastecem metade da Grande São Paulo, chegaram a 5,3% nesta sexta-feira, 23
de janeiro. 
A vazão do rio Atibaia, de onde saem mais de 90% da água consumida
em Campinas, estava em pouco mais de 5 metros cúbicos por segundo às 14 horas.
O limite crítico para abastecimento é de 4 m3/s. O professor Zuffo observa que as
chuvas nos meses de maior precipitação, dezembro e janeiro, estão
muito abaixo das médias históricas. Em dezembro choveu 70% da média e em
janeiro, até hoje, dia 23, choveu somente 24%. 

Mantidas as chuvas abaixo
da média em fevereiro e março, os reservatórios do Sistema Cantareira, por
exemplo, podem secar nos próximos meses. Antes disso, já entrarão em vigor
as regras de restrição do uso da água na região de Campinas, indicadas nesta
quinta-feira, dia 22 de janeiro, pela Agência Nacional de Águas (ANA) e
Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica (DAEE). 
Quando os
reservatórios do Cantareira estiveram com menos de 5% da capacidade, começarão
as restrições, com corte de 20% da água para abastecimento humano e de 30% para
os setores industrial e agrícola. Como os reservatórios do Cantareira estão com
5,3% da capacidade, a restrição pode ocorrer a partir da próxima semana,
atingindo cidades como Campinas e outras das bacias dos rios Piracicaba,
Capivari e Jundiaí. 
Mas a restrição não ocorrerá apenas em termos
quantitativos, observa o professor Zuffo, mas também qualitativos. “Com menor
vazão nos rios, diminui a concentração de oxigênio e a captação para
abastecimento eventualmente fica inviabilizada”, ele explica. 
O
especialista da Unicamp entende que a situação atual demonstra uma falta
absoluta de preocupação com a segurança hídrica no estado mais rico e populoso
do país, na medida em que cidades como Campinas dependem exclusivamente da água
captada em rios, pois não contam com reservatórios de emergência. 
Por outro
lado, as obras anunciadas para recompor o Cantareira e outros reservatórios
demorarão no mínimo dois anos para estarem concluídas, não tendo portanto
impacto a curto prazo. Neste cenário, a Grande São Paulo e a região de Campinas
caminham para a guerra da água. A longo prazo, o professor Zuffo entende que
devem ser intensificadas medidas como a redução das perdas nas redes de
abastecimento. 
Campinas tem sido um exemplo neste sentido, chegando a menos de
20% de perdas, e com anúncio de medidas para diminuir ainda mais o índice. No
Brasil as perdas chegam a 37% em média, segundo relatório divulgado nesta
semana pelo Ministério das Cidades. 
O especialista da Unicamp lamenta que “o
governo de São Paulo tenha concentrado totalmente as decisões para resolver a
crise hídrica, contra o que diz a legislação, que prevê a descentralização de
decisões através dos comitês de bacias”. Os comitês de bacia hidrográfica
existentes em São Paulo estão, entretanto, paralisados, entende o professor
Zuffo. 
“O governador tomou para si a gestão dos recursos hídricos e anulou
os comitês, que não estão fazendo a função prevista na lei”, protesta. – See
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