Brics conclui acordo em Durban para criação de banco mundial de desenvolvimento

Os
líderes dos países emergentes do Brics, reunidos em Durban, na África do Sul,
chegaram a um acordo nesta terça-feira para criar um banco de desenvolvimento
comum destinado a financiar infraestruturas, que deverá permitir que atue como
uma espécie de Banco Mundial.
“Está
feito”, declarou o ministro sul-africano das Finanças, Pravin Gordhan. Mas
deve se tratar apenas de um acordo de princípio, já que importantes questões
técnicas serão deixadas para mais tarde.
“Ainda
há muitos detalhes a serem discutidos (…) e temos um processo para esses
detalhes”, indicou seu colega do Comércio e da Indústria, Rob Davies,
sobre um primeiro acordo deverá ser anunciado pelos chefes de Estado e de
governo de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Os
detalhes devem ser anunciados na quarta-feira pelos chefes de Estado e de
governo dos cinco países.
O
ministre russo das Finanças, Anton Silaunov, afirmou que os países devem ainda
chegar a um acordo sobre o valor da contribuição de cada e sobre a divisão dos
votos, acrescentando que as discussões serão mantidas durante o G20 de São
Petersburgo (Rússia), em setembro.
De
acordo com as conclusões da comissão de trabalho que antecedeu a cúpula, o novo
banco deve ser dotado de um capital inicial de 50 bilhões de dólares, ou seja,
10 bilhões por país.
Mesmo
que tenha problemas para reunir essa soma que corresponde a 2,5% de seu produto
interno bruto (PIB), a África do Sul fez dessa questão uma prioridade. Ela
espera encontrar também um meio de financiar seu ambicioso programa de
infraestrutura e também os projetos dos países vizinhos.
“Acredito
que os valores disponíveis para financiar o desenvolvimento não são claramente
suficientes para satisfazer (…) as necessidades em infraestruturas do
continente africano. Assim, um novo ator será bem-vindo para dar sua
contribuição”, disse Rob Davies.
O
país anfitrião intitulou a reunião de Durban “O Brics e a África: uma
parceria para o desenvolvimento, a integração e a industrialização”.
Por
trás do discurso político unificador, que consiste em dizer que o Brics deve
constituir uma força econômica e política para fazer frente às potências
ocidentais, estão as apreensões africanas.
É
de fato a presença cada vez maior da China na África, que suscita preocupação,
com alguns considerando que os chineses não representam mais um país emergente,
e que suas relações econômicas com o continente são, aparentemente, mais uma
nova forma de colonialismo.
O
dia começou justamente com a recepção do presidente chinês, Xi Jinping, pelo
seu homólogo sul-africano Jacob Zuma durante uma visita de Estado a Pretória.
“Vemos
os êxitos da China como uma fonte de esperança e de inspiração. A emergência da
China nos dá lições e tentamos seguir o seu exemplo”, declarou Zuma.
“Consideramos
cada outra parte como uma prioridade (…) e como uma oportunidade para nosso
próprio desenvolvimento”, disse Xi.
O
presidente chinês afirmou que espera que a cúpula de Durban tenha
“resultados positivos e ajude a intensificar a cooperação entre os países
do Brics e os países africanos”.
Um
contra-peso ao Ocidente
Os
dois foram em seguida a Durban, onde Zuma se reuniu com o russo Vladimir Putin.
Preocupados
com sua independência, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que reúnem
43% da população e produzem um quarto do PIB do planeta, querem se dotar de
instituições e mecanismos comuns que os permitam contornar um sistema mundial
atualmente dominado pelo Ocidente, do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao
Banco Mundial, passando pelas agências de classificação de risco.
Além
da criação de um banco de desenvolvimento, o Brics poderá também ter à
disposição parte de suas reservas cambiais –4,4 trilhões de dólares, segundo
Pretória, sendo três quartos de Pequim– para que se ajudem mutuamente em caso
de choque conjuntural.
Esse
fundo comum, que os permitirá evitar um recurso ao FMI, deve ser dotado de 100
bilhões de dólares, de acordo com o presidente do Banco Central do Brasil,
Alexandre Tombini.
Os
cinco países também devem discutir as criações de uma agência de classificação
de risco, de um mecanismo de resseguros, de um conselho de empreendedores e de
uma instituição de classificação de universidades. Também discute-se a criação
de um cabo submarino que permitiria transmitir dados em alta velocidade do
Brasil para a Rússia via África do Sul, Índia e China, em um projeto de 1,2
bilhão de dólares.
O
primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, deve de juntar aos presidentes
brasileiro, russo, chinês e sul-africano durante a noite para um jantar de
gala, mas com o prato principal das conversas entre os cinco líderes previsto
para a manhã de quarta-feira.
O
encontro chegará ao fim na quarta à tarde com um evento organizado em um hotel
de luxo cerca de cinquenta quilômetros ao norte de Durban, com uma delegação de
chefes de Estado africanos, provenientes principalmente da Costa do Marfim, do
Egito, de Moçambique, de Uganda, do Senegal e do Chade.
Fonte:http://br.noticias.yahoo.com/brics-aprova-cria%C3%A7%C3%A3o-banco-desenvolvimento-135601800–finance.html
Please follow and like us:

Você pode gostar também

Deixe uma resposta