O Papel do PT na Nova Ordem Mundial

Dirigentes
do PT e de outros partidos da base do governo têm apregoado a existência de um
golpe contra Lula. Vários eventos são realizados protestando contra o presumido
golpe, a exemplo de uma reunião no antigo Ministério da Educação, organizada
por um grupo de personalidades que se rotula de esquerda, que colocou como
patrono o saudoso Oscar Niemeyer e divulgou um contundente, mas confuso,
manifesto. Reuniões de governadores, de sindicalistas etc. prestando
solidariedade ao ex-presidente e a seu partido.

Eu
tive convívio intenso, durante alguns anos, com dirigentes petistas, dentro do
movimento sindical e partidário. Como um dos fundadores da CUT, fui membro da
sua primeira Direção Nacional e exerci diversos mandatos na Executiva da
CUT-RJ. Participei diversas vezes da direção do Sindicato dos Bancários do Rio
de Janeiro, do qual fui presidente. Conheci muito bem os militantes sindicais e
partidários. Comecei a divergir da atuação da Central em 1989, devido à sua
partidarização. Em seguida, houve acordos salariais lesivos aos trabalhadores
cujos sindicatos eram filiados à CUT. Na qualidade de dirigente cutista,
participei ou acompanhei eleições sindicais em várias categorias; assisti a
vários vale-tudo e não adiantavam protestos.
Portanto,
conheço bem a prática petista, o comportamento de muitos militantes seus e do
seu entorno. Acho que posso contribuir para que se  conheça Lula e vou posicionar-me sobre a
conjuntura política, governos do PSDB e do PT e o decantado golpe.
Porém,
para isso, julgo indispensável uma reflexão sobre a conjuntura em nível
nacional que, todavia, para ser bem compreendida, é necessário que façamos um
mergulho profundo no que se passa no mundo, até chegarmos ao nosso rincão.
Conhecer
os meandros da estrutura de poder internacional e nacional é indispensável para
um julgamento realista e isento dos atores da política nacional. Sem
compreensão do sistema de poder global, não podemos ter um diagnóstico preciso
do que se passa no Brasil.
Divido
este trabalho, que sei polêmico, em três partes: a primeira se refere ao
governo mundial invisível de 300 famílias, no qual nada criei, apenas compilei
o que colhi em diversos trabalhos. Todos eles lastreados em fatos históricos. A
segunda parte aborda o aspecto dos governos formais no mundo, os visíveis. E a
terceira, os governos petistas.
Por
isso, é necessariamente longo e, para não ser muito cansativo, será dividido em
duas fases: a parte I – O GOVERNO MUNDIAL, que segue abaixo, e as partes II – O
GOVERNO FORMAL e III – OS GOVERNOS PETISTAS
, que serão analisadas em um próximo
texto.
Parte
I
O
Governo Mundial
Deve-se
observar o desenvolvimento dos acontecimentos mundiais nas últimas décadas,
principalmente após 11 de setembro de 2001. Violência crescente, guerras,
invasões, falsos líderes populares, morte de milhões de pessoas, assassinatos
de caráter político, degradação dos partidos, levantes sociais, endividamento
dos Estados, desemprego, miséria, banalização da tortura…
O
mundo é hoje um lugar em que as populações nos mais diversos sítios são
exploradas, violentadas, colonizadas ou semicolonizadas, enquanto alguns vivem
nababescamente e fecham os olhos ao que se passa com os explorados. Isso
acontece por acaso, pela simples ignorância e omissão das massas exploradas, ou
por fatalismo, ou é fruto de movimento planejado, calculado e friamente
executado? Há no mundo alguma força capaz de impor todas essas mazelas nesse
nível?
Tentarei
mostrar como funciona o Poder de Fato, o governo mundial exercido por trezentas
famílias, embora muitos busquem resposta para as mazelas do mundo invocando
religiosidade, visão filosófica, ou achando que é a índole do ser humano, pois
sempre houve guerras, matanças, corrupção, miséria, exploração do homem pelo
homem, dominação de um povo por outro.

Os
que afirmam que essa catástrofe é planejada e executada por um grupo de pessoas
e entidades poderosíssimas que controlam os acontecimentos mundiais são
considerados lunáticos pelas pessoas desinformadas, mas são aplaudidos por uma
minoria bem informada e honesta, que deve ser ampliada.

Esse
Poder sobrepõe-se às leis internacionais, aos organismos judiciais. Despreza
valores éticos. É, repito, exercido por uma minoria que planeja e executa as
ações. Tem capacidade e habilidade de fazer acontecer, eliminando qualquer
resistência, a qualquer custo e de qualquer maneira; se necessário, promovendo
guerras, depois de esgotados os estágios político, econômico, tecnológico,
cultural e propagandístico que são executados através de governos, da mídia e
diversas organizações.
Regridem
em muitos séculos as tentativas de construir um governo mundial controlado por
uma minúscula minoria de poderosos privilegiados. Alguns estudiosos retrocedem
até o Império Babilônico no reinado de Hamurabi (do famoso Código de Hamurabi –
olho por olho dente por dente), em que os sacerdotes administravam os grandes
templos e controlavam a economia, a serviço de um seleto grupo.
Vamos
ficar com fatos não tão antigos.
O
PODER REAL
, invisível, dispõe dos bancos transnacionais, das grandes corporações,
grandes universidades, corporações multimídias, governantes em todo o mundo –
desde presidentes de países, reis, congressistas e juízes. Planeja o
desenvolvimento de longo prazo de processos políticos, econômicos, financeiros,
tecnológicos, militares e culturais, destinados à dominação nacional, regional
ou global, paulatinamente ou não.
Não
é através de ações políticas localizadas que o Poder Invisível atua, mas
através de instituições culturais, religiosas, sociais, ocultistas e outras
organizações mundiais. As estruturas visíveis são do Poder Formal.
O
Governo Mundial utiliza os instrumentos e organizações do Poder Formal e apenas
os principais países, como EUA, Reino Unido, Rússia, China e França o acessam,
enquanto os demais governos nacionais não conseguem chegar aos níveis mais
altos dos “Senhores do Mundo” que manejam o Poder Real. A coordenação em torno
dos principais eixos é realizada pelo que chamam de geopolítica.
Histórico
resumido

poucos anos, a partir do governo Reagan nos EUA (que levou ao máximo a tensão
com a União Soviética e criou o Programa Guerra nas Estrelas, arranjou
conflitos com Muamar Kadafi da Líbia e vendeu armas ao Irã, cujo dinheiro era
desviado para grupos de direita para derrubada do governo sandinista de Daniel Ortega
etc.), surgiu a pregação de “UMA NOVA ORDEM MUNDIAL”, afinal proclamada em 1990
por Bush pai. Agora, chamam de Globalização. Trabalha para corroer, minar,
enfraquecer e, por fim, liquidar a soberania nacional dos diversos países e, ao
final, com os povos enfraquecidos e sem condições de tomar decisões soberanas,
acabar com os Estados-Nação.
Para
muitos, essas afirmações parecem coisa delirante. Mas o fato concreto é que
esse governo mundial já comanda inúmeros países, através de mega-organizações privadas.
Dispensa instituições públicas. É privado. É composto por trezentas famílias,
encimadas por 13 dinastias e realezas e seguido por membros da nobreza que
detêm poder econômico, financeiro e religioso há séculos.
As
13 famílias atuam coordenadamente desde 1776, quando ressurgiu na Baviera uma
organização chamada “ILUMINATIS”, que se baseou na maçonaria (hoje controla a
maçonaria), organização milenar que visava submeter as monarquias e a Igreja
Católica. Controla a “BLOOD LINE” (pureza sanguínea) e a árvore genealógica das
famílias. Antes, denominada “OS ANTIGOS SÁBIOS ILUMINADOS”, que foi originada
dos CAVALEIROS TEMPLÁRIOS, por sua vez oriundos das CRUZADAS. O mascote dessa
organização é uma coruja, imagem de sabedoria e que enxerga no escuro. Um dos
símbolos é uma pirâmide que no pico tem um grande olho, com o dístico “all
seeing eyes” (olho que tudo vê). Abaixo da pirâmide lê-se “Novus ordo Seclorum”
(a nova ordem dos séculos), ou seja, a NOVA ORDEM MUNDIAL.
Se
há várias versões sobre a origem da maçonaria, é certo que há uma série de
coincidências em símbolos e dinheiro dos EUA que remetem a essa organização.
Exemplos: 1) as 13 linhas que separam as cores da bandeira e as treze linhas
que separam os estágios da pirâmide símbolo do Iluminatis. 2) Na nota de 1
dólar está impressa a pirâmide exatamente com o olho e o dístico “novos ordo
seclorum”. AS 13 DINASTIAS são: Rotschild, Astor, Bundy, Li,
Collins, Du Pont, Freeman, Kennedy, Onassis, Rockfeller, Russel, Van Duyn,
Merovingian.
Em
seguida, as duas principais das 287 são Disney e Reynolds. É determinante a
influência do Reino da Dinamarca e do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do
Norte. A seguir, algumas das outras famílias, colhidas no vídeo “O Anel do
Poder”, no Youtube: Churchill, Roosevelt, Bush, Huxley, Hariman, Gore, Turner,
Schroeder, Baring, Kissinger, Warburg, Rhodes, Hesse, Sarkozy, Delano, Mazine
etc.
Também
fazem parte da pirâmide as nobrezas coroadas da Grã-Bretanha, Holanda, Espanha,
Bélgica, e as não coroadas da França, Itália, Alemanha, Áustria e Portugal.
Mais os emirados islâmicos e nobrezas do Oriente Médio (Israel, Turquia), do
Extremo Oriente (China, Tibete, Japão etc.), sacerdotes do Vaticano, rabinos,
clérigos luteranos e anglicanos e os ricaços dos EUA.
Utilizam
estruturas políticas supranacionais – Maçonaria, Sionismo, Social Democracia
Internacional, Democracia Cristã Internacional, ONG’s. Exercem grande
influência sobre muitos governos em todas as partes do mundo. Não dispensam
organismos multilaterais que controlam com mão de ferro através dos principais
países desenvolvidos: EUA, Reino Unido, China, Rússia e França, apoiados por
Espanha, Portugal, Suécia, Holanda, Itália, Bélgica. Possuem três
Cidades-Estados independentes, dentro de três cidades; não pagam impostos e
formam o núcleo econômico. São:
a)
CROWN –
território independente controlado pela família Rothschild dentro de
Londres, denominado “The City”, onde fica o Banco de Londres, privado. É o
centro econômico mundial; único lugar onde se podem fazer negócios com todas as
bolsas e todos os bancos mundiais, a qualquer dia e hora.
b)
VATICANO –
Território independente dentro da cidade de Roma. O “Estado da
Cidade do Vaticano” é o centro religioso controlado pelo clero católico. Tem
banco próprio, subordinado à Crown. É o menor Estado soberano do mundo com
menos de 900 habitantes e território de 0,44 km². Juntamente com o CONSELHO
MUNDIAL DE IGREJAS (CMI), e outras religiões (Igreja da Inglaterra, Luterana,
Calvinistas, Judaísmo, Pentecostal etc.), forma importante suporte no campo
religioso. O CMI é uma organização ecumênica em nível internacional, tem sede
em Genebra, Suíça, e congrega mais de 300 igrejas e denominações que
representam mais de 500 milhões de fiéis em cerca de 120 países. A Igreja
Católica não participa do Conselho, mas forma com ele um grupo de trabalho
permanente na Comissão de Fé e Ordem e na Comissão de Missão e Evangelização.
c)
COLUMBIA –
Cidade independente dentro da capital Washington, onde fica o
FED-Federal Reserve System, privado, orientado pela Crown. É uma federação de
instituições financeiras que funciona como Banco Central dos EUA e controla
todo o dinheiro americano. Columbia é comandada pela família Rockfeller. É um
importante segmento dos “Iluminatis”. Fundou, em 1754, a Universidade de
Columbia na cidade de Nova York. Possui também a Columbia Movies, a Columbia
Rewards, a Columbia Televition (CBS), cujo símbolo é “all seeing eyes” (olhos
que tudo veem). O “space shuttle” (nave que viaja ida e volta) chama-se
Columbia.

elementos comuns nas bandeiras dessas três cidades: Crown tem três asas de dragão,
Vaticano mostra três coroas e Columbia, três estrelas. Cada uma delas possui um
obelisco sobre um círculo que tem a mesma simbologia (o deus egípcio Amon ou
Amen).
A
estrutura de poder das famílias não dispensa pactos e acordos com as principais
organizações criminosas. Essas organizações possuem regras não escritas para se
respeitarem e não se intrometerem nos negócios umas das demais. O governo
invisível até incentiva a criação de algumas organizações criminosas, que
realizam acordos com algumas estruturas de Poder Formal, visível. Assim,
criam-se máfias que atuam em tráfico de armas, cartéis de drogas e seus
gerentes financeiros possuem esquemas de lavagem de dinheiro. Os grupos
criminosos organizados infiltram-se em organizações legais, nos órgãos de
segurança, em forças armadas e organismos financeiros, inclusive na CIA,
Mossad, DEA, FBI etc.
O
governo das trezentas famílias criou os chamados “THINK TANKS” – grupos de
pesquisa; extensa rede de alcance mundial composta por vários organismos. Coesos,
atuam coordenadamente. Diz Valerio Yarmiyaohu em seu trabalho “Setenta x Sete”:
“A função deles é desenvolver processos políticos, econômicos, financeiros,
tecnológicos, militares e culturais complexos, integrando-os em modelos
geopolíticos consistentes e sustentáveis, para atingir crescente dominação
nacional, regional e global no longo prazo”.
Na
rede global dos “THINK THANKS”, há, entre outros, os conhecidos Fórum Econômico
Mundial e o Projeto Para um Novo Século Americano – PNAC. Outros importantíssimos
são:
a)
CONSELHO DE RELAÇÕES EXTERIORES
(CFR-Council on Foreign Relations), organização
suprapartidária, secreta, criada em Paris em 1921. Só se tornou conhecida a
partir de 1971. Suas reuniões são secretas. Participam
personalidades europeias, reis, altos executivos do New York Times, do
Washington Post, do Los Angeles Times, Wall Street Journal, NBC, ABC, FOX, CBS,
Time, Fortune, Business Week, US News and World Report. É presidido por David Rockfeller. É
também chamado de Establishment, Governo Invisível e Ministério Rockfeller das
Relações Exteriores. Todos os candidatos a presidente dos EUA que conseguiram
ser eleitos eram membros dessa organização, exceto Ronald Reagan.
b)
COMISSÃO TRILATERAL –
Sobre este organismo, formado por personalidades do
Japão, Europa e EUA, transcrevo um texto captado na internet que explica bem:
“A Comissão Trilateral foi fundada em 1973 por iniciativa de David Rockfeller,
o presidente do poderoso banco Chase Manhattan, diretor de diversas empresas
multinacionais e de fundações isentas de impostos. Entre os cerca de 300
membros iniciais, estavam acadêmicos, políticos, magnatas da indústria,
banqueiros internacionais, líderes de centrais sindicais e diretores dos
gigantes da mídia. Desde a eleição de Jimmy Carter, em 1976, o Poder Executivo
nos EUA foi literalmente sequestrado pelos membros da Comissão Trilateral. Esse
domínio quase absoluto, especialmente nas áreas do comércio, bancos, economia e
política externa continua até hoje.( …) A Comissão está solidamente posicionada
contra o conceito do Estado-Nação e, em particular, contra a Constituição dos
EUA. Assim, a soberania nacional precisa ser reduzida e depois abolida
totalmente de modo a abrir o caminho para a Nova Ordem Internacional, que será
governada por uma elite globalista não-eleita e com sua própria estrutura
jurídica” – Zbigniew Brzezinski foi outro fundador, juntamente com Rockfeller.
c)
GRUPO BIELDERBERG –
É formado por 130 personalidades do mundo empresarial,
político, acadêmico e midiático. Fazem encontros anuais sigilosos em diversos
países e têm um escritório na Holanda. Suas discussões e decisões não são
registradas.
d)
REAL INSTITUTO DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS
(o chamado Chatham House) –
anteriormente denominado “Royal Institute of International Affairs”, é uma
organização não governamental, sediada em Londres, cuja missão é analisar os
trabalhos-propostas e promover uma melhor compreensão dos principais temas
políticos internacionais de interesse da casta, sob a ótica do PODER REAL.
CHATHAM
HOUSE
foi considerado o “THINK-TANK” mais importante do mundo fora dos Estados
Unidos, pela revista Foreign Policy. Chatham House também foi citada como sendo
um dos principais escolásticos (scholars) por pertencer ao seleto grupo de
astros do universo de think-tanks que são regularmente credenciados para criar
novas agendas e elaborar novas iniciativas. Concede anualmente o prêmio
“CHATHAM HOUSE PRIZE” ao estadista que, na sua ótica, deu a mais significativa
contribuição para a melhoria das relações internacionais (leia-se: interesses
da organização). No ano de 2009, o estadista premiado na Inglaterra com o
“CHATHAM HOUSE PRIZE” foi o presidente do Brasil, LUIZ INACIO LULA DA SILVA.
Ronald
Barata é bacharel em direito, aposentado, ex-bancário, ex-comerciário e
ex-funcionário público. Também foi militante estudantil e hoje atua no
Movimento de Resistência Leonel Brizola. Autor do livro O falso déficit da
previdência.

Parte II


O Poder Formal


O governo mundial invisível
exerce o PODER REAL. É, realmente, O PODER. É quem tem a capacidade de fazer
certas coisas acontecerem no lugar e no momento em que desejam.


Há, como vimos, o Poder
Formal. São os governos nacionais, os mercados financeiros, os organismos
multilaterais, organizações religiosas, ONGs e as mídias. São os instrumentos
visíveis que o Poder Real ou de Fato utiliza para fazer as coisas acontecerem.

O Poder Formal executa as políticas econômica, industrial,
financeira, comercial, cultural, científica e militar, elaboradas pelos
“Think Tank” do Poder Real, que utiliza os governos dóceis ou
comprometidos e as demais estruturas visíveis. As ações do Poder Formal são
tornadas públicas.


Porém, as populações não sabem
a origem dessas ações, isto é, desconhecem que o Poder Real é quem determina
até os processos políticos, para isso utilizando-se de mecanismos já citados,
inclusive ações militares, se necessário.


Infelizmente, temos visto
governos e demais estruturas políticas em diversos países, mesmo quando
galgados através de eleições “democráticas”, interessados apenas em
ações que conduzam a atender interesses grupais ou pessoais, confiando em que
“O Poder” garanta sua estabilidade e a chamada governabilidade.
Usufruindo vantagens, atendem os objetivos e interesses dos intermediários do
Poder Real: bancos, agronegócio, multinacionais. E as criminosas privatizações,
maneira mais fácil e cômoda de se rapinar as riquezas de determinado país ou
região.


As estruturas políticas do
Poder Formal, isto é, governos através de presidentes, reis,
primeiros-ministros, Parlamento e Judiciário, não detêm o real controle das
instituições públicas; as estruturas econômicas, eminentemente privadas, é que
comandam.


É óbvio que essas estruturas,
as empresas, são comandadas pelos donos, os acionistas. Estes, quase sempre
anônimos, delegam a gestão a diretores que procuram o máximo de lucro para os
patrões, administrando eficiente e apropriadamente em consonância com os
interesses dos acionistas.


Apoiando-se em dedicados
gerentes, são responsáveis por assegurar o crescimento da empresa, objetivando
o máximo dos rendimentos presentes e futuros, com um mínimo de despesa,
priorizando o interesse privado dos acionistas em detrimento do interesse social.

As grandes corporações, principalmente as do setor
financeiro, todas privadas, estão a serviço do governo mundial, que as
controla. Agem a serviço da globalização. O poder privado procura controlar o
público através de vários mecanismos, seja pela corrupção, seja pelas
“democráticas” eleições que manipulam através do dinheiro, desde o
fornecimento de recursos financeiros para as campanhas eleitorais e/ou o
exercício do governo.


O poder público, o governo,
exceto dos cinco países citados na Parte I, não tem acesso às instâncias e
mecanismos do Poder Real de nível médio para cima, tendo contato apenas com o
nível baixo, os gerentes. Não tem nenhum controle ou influência sobre as
grandes decisões.


No nível médio das
instituições intermediárias do Poder Real, temos os diretores das empresas, que
têm poder de decisão para implantar as medidas ditadas pelos acionistas. Esses
dois níveis, o médio e o superior, comandam as grandes corporações
multinacionais, instituições financeiras transnacionais, monopólios midiáticos.


O Poder Real utiliza as
corporações privadas para direcionar e controlar as autoridades: governos,
justiça, forças de segurança, entidades de controle e supervisão. Envolvem
chefes de executivos, congressistas e juízes. Aplicam muito dinheiro financiando
políticos governistas e oposicionistas, todos pesquisados, estudados e
cuidadosamente selecionados, seja do parlamento ou do executivo. Presidentes e
primeiros-ministros tornam-se meros executores de decisões ou programas que os
diretores e os gerentes, ou organismos multilaterais, apresentam às instâncias
governamentais.

Os gerentes das grandes corporações são pesquisados,
submetidos a testes, rigorosamente controlados, rastreados pelos diretores e
acionistas (o olho que tudo vê). Não podem ter conhecimento amplo, genérico,
mas apenas de determinadas áreas. Conhecem a árvore, mas não podem conhecer a
floresta, o que é reservado aos do nível médio para cima. Porém, são os agentes
que se comunicam com as autoridades e outros atores ou organizações.


Quando não controlam
totalmente as “regras” da democracia, influem poderosamente. Destinam
polpudas verbas para financiamento de campanhas políticas. Com dinheiro, mídia
e marketing, promovem ou enfraquecem partidos políticos e candidatos em intensas
e massivas campanhas de curta duração que ocupam todos os espaços de propaganda
e divulgação, fingindo uma isenção e um equilíbrio que induzem o eleitorado a
ter a falsa impressão de que elegerão o candidato que escolheram com
independência. E a população acredita que está em um processo verdadeiramente
democrático.


Falam muito em democracia,
pregam sua universalização, desde que não seja democratização do sistema
financeiro, da economia e da mídia. O poderoso Senhor Dinheiro viaja em céu de
brigadeiro por quase todo o planeta.


Moldar as Mentes


Os processos financeiros são
rápidos e podem ser comandados à distância. Estão mais velozes graças à
tecnologia. Os banqueiros dominam.


Porém, os processos sociais
são, necessariamente, lentos; visam mudar culturas, conquistar e colonizar
mentes, catequizar, desprezar valores éticos e morais, moldar as massas
consoante os interesses do Governo Mundial. Para isso, utilizam duas
importantes ferramentas: o sistema educacional e as mídias.


Os sistemas educacionais, a
exemplo do Brasil, estão distorcidos, adulterando ou apagando culturas e
promovendo baixíssimo nível educacional, para que os povos tornem-se
acomodados, embrutecidos e apoiem o que os ideólogos da casta impingem. A mídia
é fundamental, seja na produção de programas, documentários etc., de conteúdos
ideológicos, desmoralizantes, desagregadores, seja criando linguagem chula,
incentivando comportamentos em que a mediocridade, a libertinagem, o palavreado
de baixo calão e a obscenidade tornem-se normais.

Já estamos vivendo a realidade do Governo Mundial que vem
agindo aqui, sibilinamente, por muitas décadas, mas que aspira por ser mais
formal, “legal” e consolidar a democracia que lhe interessa, isto é,
sob o controle do dinheiro. E o capitalismo. Para isso, a geopolítica é
fundamental. Com muito dinheiro, corrompem vários intelectuais, escritores e
autores.


Assim, as dinastias
financistas, de imensa fortuna, conseguem ter a liderança do Governo Mundial e,
por consequência, dominam muitos países.


Na próxima parte, farei
abordagem do governo Lula em meio a esta lógica.

 




Parte III



Os governos Lula e o pseudogolpe



No desenvolvimento deste tópico, tentarei evitar
conceituação, opinião ou análise. Pretendo ater-me a fatos indesmentíveis. Não
adentrarei em casos de corrupção, inerente a modelos concentradores e
indissociável do capitalismo. Mas também não vou apresentar um texto trincado;
nem hipócrita isenção.



Lutei muito contra as privatizações tucanas, inclusive tendo
que superar a desfaçatez de inúmeros cutistas que nada faziam, principalmente
nas privatizações do estado do Rio de Janeiro, no governo Marcello Alencar,
como no caso BANERJ e outros. Mas, cinicamente, apresentavam discurso contrário
à privataria. Tenho farta documentação.



Entretanto, essa é uma etapa das privatizações em que os
atores já são bastante conhecidos e desmoralizados. O livro “A Privataria
Tucana” desnuda, mais uma vez, as grandes negociatas por detrás daquelas
privatizações. É um triste episódio de nossa História que, por ser do domínio
público, dispensa comentários neste texto. Vou direto à etapa seguinte.



Em 1987, participei de um debate realizado no luxuoso hotel
Sofitel, em Copacabana, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados
Unidos. Lula foi o outro sindicalista convidado. Diante da “seleta” plateia,
composta por empresários e banqueiros, houve o mais significativo silêncio
quanto às minhas falações. Lula conquistou aplausos.



Alguns fatos



Quero, de início, chamar atenção para dois fatos ocorridos em
novembro de 2002, com Lula já eleito, mas não empossado:



1º) O jornal Folha de S. Paulo noticiou que Lula passara um
fim de semana na fazenda da família Moreira Salles, em Araxá-MG. A família é
coproprietária da Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração em sociedade com a
multinacional Molybdenium Corporation – Molycorp, subsidiária da Union Oil, por
seu turno, empresa do grupo Occidental Petroleum – Oxxi (tudo em casa). Atua
também em Amsterdã, Singapura e EUA. Explora o raro mineral NIÓBIO,
indispensável para a criação de superaços, fabricação de mísseis, centrais
nucleares, turbinas, naves espaciais, aviões, centrais elétricas. Os EUA,
Europa e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro; não possuem sequer um
grama do mineral (exceção da França). A CBMM é dona da maior reserva mineral de
nióbio do mundo, em Araxá, com valor não estabelecido, mas calculado em
trilhões de dólares.



A família vendeu 15% de suas ações à empresa estatal
japonesa, Japan Oil, Gas and Metals National Corporation, em parceria com um
fundo de investimento coreano que representa os interesses da China. Tudo com a
conivência do governo de Minas Gerais. Para as transações, funcionou um
gigantesco e fértil campo de corrupção. Pecaminosamente, exporta-se o magnífico
mineral desenfreadamente e a preço subfaturado. Porém, enorme quantidade é
contrabandeada. Já houve denúncias de várias instituições e personalidades,
inclusive de membros das Forças Armadas, mas o governo federal não tomou
nenhuma providência e assiste a tudo com complacência e a aprovação do Departamento
Nacional de Produção Mineral (DNPM). É muito estranho que essas reservas do
mineral estratégico e raro (cerca de 96% das reservas mundiais estão no Brasil)
não tenham sido federalizadas. É gravíssima omissão do governo federal. Há
grandes reservas em Goiás, Amazonas e em Raposa Serra do Sol. Em outros quatro
países, as reservas que possuem não chegam a 4%.



2º) AO SAIR DE AUDIÊNCIA com o então presidente George Bush,
em Washington, Lula anunciou que o presidente do Banco Central seria o Sr. Henrique
Meireles, homem da absoluta confiança das “Think Tanks” das trezentas famílias.
Tanto é que foi presidente internacional do Bank Boston (segundo maior credor
do Brasil), o que só é possível com indicação ou aprovação do Ministério
Rockefeller. Será que todo o Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) não
sabia disso? O banqueiro comandou a economia brasileira durante oito anos, com
status de ministro, conferido por Lula, devido a acusações que lhe pesam de
evasão de divisas, sonegação fiscal e falsidade ideológica. Acima do bem e do
mal, não foi investigado. Cumpriu sua missão: conferiu extremados privilégios
ao setor financeiro. Em recentes declarações, Lula afirmou que “nunca na
história deste país, os banqueiros ganharam tanto dinheiro”.



A dívida pública



Fernando Henrique assumiu em 1995 com uma dívida de R$ 60
bilhões. Passou o governo a Lula, em janeiro de 2003, com a dívida em R$ 687
bilhões.



A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), competente e sério grupo
de voluntários, coordenado pela brilhante economista Maria Lucia Fattorelli,
afirma que o estoque da dívida brasileira em 2011 superava a TRÊS TRILHÕES E
TREZENTOS bilhões de reais, da seguinte forma: DÍVIDA INTERNA: R$
2.536.065.586.017,68; DÍVIDA EXTERNA: US$ 492.385.201.828,23 (‘A Dívida Pública
em Debate’- ACD – páginas 28/29).



Em 2012, pagou mais R$ 1 trilhão de reais referentes a juros
e amortizações da dívida e mais a chamada rolagem. O governo apresenta cifra
menor, pois considera apenas juros reais, quando o honesto é computar os juros
nominais, isto é, incluir a correção; o que é pago, mais as amortizações e
despesas com rolagem ou refinanciamento.



Entretanto, o mais grave é que a maior parte dessa dívida que
começou a crescer em 1970 é ilegal e ilegítima, conforme muitas vezes
denunciado e comprovado pela Auditoria Cidadã e pela CPI da Dívida em 2009/10.
Há ainda o tal Carry Trade, verdadeira farra dos especuladores que fazem
empréstimos no exterior a juros de 0,25% a 2% e trazem os dólares para
emprestar ao Brasil, sendo remunerados aos juros mais altos do mundo. E mais:
em 2007, quando o governo federal gastou R$ 237 bilhões com juros e
amortizações da dívida interna e externa, sem contar o refinanciamento, ou
seja, a rolagem da dívida, o governo isentou de Imposto de Renda os rendimentos
auferidos por “aplicadores” estrangeiros, só restabelecendo a cobrança ao final
do governo. O Banco Central (BACEN) compra os dólares trazidos pelos
especuladores, assim como os recebidos pelos exportadores, e aplica em títulos
do Tesouro Americano, que rendem menos de um terço dos juros pagos pelo governo
brasileiro pelos títulos da dívida interna. Os prejuízos do Banco Central são
recorrentes: em 2009, R$ 147 bilhões; 2010, R$ 50 bilhões; 2011(1º semestre),
R$ 44,5 bilhões. O Tesouro cobre, isto é, nós, os contribuintes.



Apesar de ter assumido compromisso, o governo Lula não
realizou auditoria dessa dívida. O Equador fez auditoria, contando com a
colaboração do grupo brasileiro da Auditoria Cidadã. Restou comprovado que 70%
(SETENTA POR CENTO) do que se apresentava eram manipulados, inexistentes. O
presidente Rafael Correa convocou os credores e ofereceu pagamento de apenas
30%, alertando que quem não aceitasse procurasse a Justiça. Noventa e cinco por
cento dos credores aceitaram o acordo. Os cinco por cento que não fizeram
acordo, nem recorreram à Justiça, sumiram.



Outros países começam a estudar a realização de auditoria:
Grécia, Argentina e Irlanda. No Brasil há um precedente importante. O governo
Vargas, em 1931, mandou auditar a dívida. Comprovou-se que mais de 50% era
ilegal e o estoque foi reduzido. Hoje, infelizmente, não há vontade política
dos governantes, nem pressão dos organismos sociais, de se levantar a dívida
verdadeira. Apesar de a maior parte do orçamento, 47,19%, destinar-se ao
pagamento desse absurdo. Elementos simpáticos ao governo contestam esses
números, apenas em discursos, sem apresentar comprovações conforme faz a
Auditoria Cidadã da Dívida.



Petróleo



A Lei 9478/1997 pôs fim ao monopólio estatal do petróleo,
criou o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), presidido pelo
ministro de Minas e Energia, e a ANP (Agência Nacional de Petróleo), autarquia
implantada em 1998 pelo Decreto 2455. A ANP concede à sua diretoria (diretor
geral + quatro diretores, nomeados pelo presidente da República) autonomia e
imensos poderes, inclusive o de elaborar a política nacional de petróleo e gás.
O item IV do Decreto atribui à Agência a “Regulação Pautada na livre
concorrência, na praticidade….”. Em suma: pode distribuir concessões para
exploração de bacias sedimentares, inclusive a empresas estrangeiras, como tem
feito. Igual ao Banco Central, suas portarias têm força de lei. Antes, havia o
Conselho Nacional do Petróleo (CNP), criado em 1938, do qual faziam parte os
três ministros militares mais o ministro da Fazenda e o do Trabalho. Ao
contrário da ANP, estatizou imediatamente todas as operações em curso e só
permitiu a iniciativa privada em refinarias. Criada a Petrobras, passou para a
empresa todas as informações que detinha. Por sua vez, a Petrobras repassou
todas as informações para a ANP. Sessenta por cento (60%) das ações da
Petrobras foram privatizadas.



A AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e outros
organismos têm comprovado, através de competentes trabalhos, a atuação lesiva
aos interesses nacionais dessa Agência. Lula prometera restabelecer os
princípios da Lei 2004 que criou o monopólio estatal. Todavia, limitou-se à Lei
nº 12.351/2010, que não mudou o marco regulatório para os campos abertos
(regime de concessão), instituindo o regime de partilha apenas para o pré-sal.
Contrariando todos os segmentos nacionalistas, Lula vetou o artigo 64 dessa
Lei, que era uma emenda apresentada pelo senador Pedro Simon, que não permitia
a devolução em petróleo dos royalties pagos em dinheiro pelo vencedor de uma
licitação que produza petróleo. Na prática, é isenção de imposto. A emenda teve
inspiração da AEPET e de todos os seguimentos nacionalistas. O Wikileaks,
ratificando a AEPET, comprovou que o veto foi por pressão do governo americano
e do cartel internacional do petróleo. Assim, concede-se isenção de impostos
(devolução dos royalties), cujo montante até 2020 é estimado em US$ 30 bilhões.
As alterações do marco regulatório para o pré-sal, através dessa Lei, só foram
divulgadas após uma visita de Lula, acompanhado da ministra de Minas e Energia,
ao presidente Barack Obama.



Já foram privatizados, tirando da Petrobras, 41,7 mil km² da
reserva do pré-sal, ou seja, 28% de toda a província. Para conhecer melhor,
deve-se acessar o site da AEPET e os trabalhos do geólogo João Victor Campos e
do engenheiro Fernando Siqueira. Lula criticava com veemência os leilões de
bacias sedimentares, mas realizou vários, suspendendo-os quando da descoberta
do pré-sal. Porém, o governo Dilma já anunciou que serão retomados a partir de
abril.



As privatizações e a oligopolização da economia

“É basicamente através do BNDES que nós estamos organizando o
capitalismo brasileiro. As pessoas não sabem disso. Mas nós estamos
reorganizando o capitalismo brasileiro”, Fernando Henrique Cardoso em
entrevista à revista Lua Nova, em 1997.



O BNDES concede financiamentos a taxas que vão de 4,5% ao ano
(PSI – Programa de Sustentação de Investimento) a outras um pouco superiores,
mas sempre abaixo da taxa SELIC. Usa, geralmente, a Taxa de Juros de Longo
Prazo (TJLP), de 6%. Deve destinar os financiamentos às micro, pequenas e
médias empresas, apoiar a agricultura, infraestrutura (saneamento, transporte,
energia), investimentos sociais (educação, saúde), máquinas e equipamentos
fabricados no país, incremento às exportações.



Todavia, igual a FHC, Lula e Dilma usaram recursos do banco
para financiar privatizações, até para empresas estrangeiras. Em 2011, o
governo privatizou o terminal de São Gonçalo do Amarante-RN. Seguiu-se a dos
três principais aeroportos do país, que respondem por 30% do fluxo de
passageiros e 57% do movimento de carga. O BNDES financiará de 80% a 90% dos
itens financiáveis, para entrega do controle por 180 meses para as vencedoras
de Guarulhos e Campinas e 240 meses para a de Viracopos. Privatizou 2,6 mil
quilômetros de rodovias federais para o grupo espanhol OHL, por 25 anos.
Concedeu, por 30 anos, à Vale, 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul.
Privatizou as hidrelétricas Santo Antônio e Jirau. E algumas reservas
petrolíferas. E impõe “parcerias” aos três maiores fundos de pensão do
país, de estatais.



Prática predatória



O TESOURO CAPTA centenas de bilhões de reais pagando juros à
taxa Selic (10,75%, 17% etc., conforme o ano), e os transfere para o BNDES, que
empresta a empresas a juros baixos, para aquisição de outras empresas, fugindo
às finalidades do banco. Recursos públicos usados para criação de
megacorporações privadas, inclusive financeiras. FHC oligarquizou o ramo
financeiro aplicando essa política. Bancos engoliram outros bancos. Lula
praticou essa política em outros segmentos da economia, principalmente
empreiteiras (mas não só). Camargo Correia, Odebrecht, Queiroz Galvão, Mendes
Junior etc. agigantaram-se graças a juros subsidiados e passaram a atuar em
vários setores da economia, como: petroquímica, transportes, administração de
estradas, ferrovias, energia, siderurgia, têxtil, calçados, serviços de saúde,
fundos de investimentos etc. e passaram a atuar no exterior.



A Andrade Gutierrez é dona da Telemar, que é dona da OI, que
comprou a Brasil Telecom (Contax) graças ao BNDES ter emprestado R$ 2,6 bilhões
em 2008 e R$ 4,4 bilhões em 2009. Na operação, houve denúncias de doações a
parentes de pessoas do governo. Essa empreiteira hoje tem também as seguintes
empresas: Sanepar, Aeris, Dominnó Holding S.A., Water Port S.A., Corporación
Quiport, CCR- Cia. de Concessões Rodoviárias, RME – Rio Minas Energia.



A JBS Friboi (carne bovina) recebeu empréstimo de uma só vez
de R$ 7,5 bilhões e entrou no mercado de capitais em 2007. Adquiriu a Swift
Armour Argentina, a Swift Foods & Co., dos EUA, a Inalca (Itália) e a
Tatiara Meat Company, da Austrália. Lançou debêntures e o BNDES adquiriu 65%
por R$ 2,2 bilhões. E mais: em 2009 o BNDES jogou na Bertin a fábula de R$ 5,7
bilhões, logo depois comprada pela JBS, surgindo uma nova holding, que comprou
a Pilgrim’s Pride. Lançou debêntures no total de R$ 3,4 bilhões e 99% foram
compradas pelo BNDES. As operações não criaram nenhum emprego no Brasil.



O Banco do Brasil e a CEF também foram usados. O primeiro
comprou 49,99% das ações do Banco Votorantim, pagando o preço de todo o banco
que estava praticamente falido. E o BNDES concedeu R$ 2,4 bilhões para a
Votorantin Papel e Celulose comprar ações da Aracruz Celulose, que estava em
dificuldade. Lula não cumpriu a prometida revisão da privatização da Vale (do
Rio Doce), das teles e das elétricas, que envolvem a segurança nacional. Sua
política foi a mesma de FHC: o Estado fica com os prejuízos e os ganhos ficam
com os magnatas.



Há muito mais temas para citar, como os privilégios para o
agronegócio, a reforma da Previdência de 2003, a “desoneração da folha”, não
revalidação da Convenção 158 da OIT… Assinou Acordo Militar com os EUA,
ressuscitando o que fora denunciado pelo general Geisel.



Encerramento: é Lula um apedeuta?



Muitos pensam ser Lula um ignorante, por não ter concluído o
curso primário. Não é. Além da qualidade de liderança, tem em seu currículo
alguns cursos. Exemplos: em 1968, fez curso de sindicalismo no IADESIL
(Instituto Americano de Sindicalismo Livre, criado pela AFL-CIO – American
Federation of Labor-Congress of Industrial Organizations –, a central sindical
dos EUA, com vínculos com a CIA – Central Intelligence Agency).



O instituto instalou-se em São Paulo em 1963, quando a CIA
preparava o golpe de 1964. Ministra cursos de sindicalismo com a ideologia do
imperialismo norte-americano, com maquiagem de esquerda. Levou a CUT a
filiar-se à AFL-CIO, triste episódio numa fatídica plenária nacional da
central, da qual participei, posicionando-me contrariamente.



Segundo o livro “Jogo Duro” do empresário Mario Garnero
(páginas 130/5, Editora Best Seller, 1988 – teve várias edições e nunca foi
desmentido), Lula fez curso de sindicalismo, em 1973, na Johns Hopkins
University – Baltimore-Maryland, EUA.



Logo, Lula não é ignorante. Sua primeira e importante tarefa
foi cumprida à risca. Era a de ajudar a impedir a chegada de Leonel Brizola à
presidência, pelas razões conhecidas. Inteligente, coloca em prática com
mestria os projetos que recebe para desenvolver, mobilizando todas as
instâncias políticas, governamentais, empresas, instituições sociais, mídia.



Ora, por que razão o governo mundial golpearia tão importante
colaborador? Pode até já não mais haver interesse nesse personagem, devido aos
profundos desgastes dele, de seu partido e aliados. Poderão descartá-lo, pois
não faltam substitutos, nem novos nem os experientes que já governaram e hoje
são oposicionistas. Mas, daí a ser um golpe, há uma distância abissal. Os
abundantes casos de corrupção, que foram denunciados por insatisfeitos próceres
do próprio governo, deixam claro que deve haver dossiês prontos, para serem
usados na hora propícia. Problema deles. “Quem com porcos se mistura…”.



Em tempo: provavelmente há também grande insatisfação dos
acionistas da Petrobras e da Eletrobras, principalmente os estrangeiros, com as
pesadas perdas que vêm sofrendo.
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