Israel bloqueia estradas ao redor de Gaza e convoca 75 mil reservistas

As
recentes movimentações do governo israelense no âmbito da operação “Pilar
Defensivo” indicam uma escalada na investida militar contra a Faixa de
Gaza, com possível invasão terrestre. O exército informou nesta sexta-feira
(16/11) que estava bloqueando para a passagem de civis três estradas que levam
ou fazem fronteira com o território. Além disso, o governo aprovou a
mobilização de até 75 mil reservistas.
“Há
uma zona militar fechada”, afirmou um porta-voz israelense, que explicou
que a estrada 232, a rota 10 e parte da rota 4 foram fechadas ao tráfego não
militar. “São as principais estradas em torno da Faixa de Gaza.”

Segundo
o secretário de gabinete, Zvi Hauser, o governo de Israel conseguiu a aprovação
ministerial para convocar até 75 mil soldados reservistas para a possível
ofensiva. O exército já desloca grandes contingentes de militares e armamentos
pesados ao longo da fronteira. A operação “Chumbo Fundido”, que
deixou mais de 1,3 mil palestinos mortos entre 2008 e 2009 contou com 10 mil
reservistas.

Uma
autoridade israelense disse à France Presse que o primeiro-ministro de Israel,
Benjamin Netanyahu, reuniu na sexta à noite o gabinete de segurança, composto
por nove ministros, no Ministério da Defesa, em Tel Aviv, para “discutir
uma eventual extensão das operações do Exército”.

Nenhuma
decisão foi imediatamente anunciada, e alguns comentaristas especularam que
esse anúncio seria parte de uma guerra psicológica contra o Hamas.
Ainda
nesta sexta-feira, a Defesa Civil israelense pediu para as prefeituras e
autoridades locais no centro e no sul do país se prepararem para um
“período de combate de sete semanas”. O canal 10 da televisão
israelense informou que até agora foram mobilizados cerca de 20 mil
reservistas, mas que é esperada a chegada de milhares de combatentes até
amanhã. Uma soldado entrevistada pela Efe disse que “bases inteiras
ficaram vazias” para deslocar forças à fronteira.
O
comentarista militar do canal 10, Alon Ben David, explicou que “não vê uma
situação com 70 mil soldados israelenses dentro de Gaza”, número que
segundo ele seria necessário em caso de tentativa de derrubar o governo do
movimento islamita Hamas, no poder na faixa desde 2007. Por enquanto, advertiu,
“este não é um dos objetivos definidos para a operação”.
Foguetes
Israel
afirmou que o fechamento das estradas foi uma resposta aos ataques de foguetes
em Jerusalém e Tel Aviv. Nesta sexta-feira, militantes do Hamas lançaram um
foguete contra Jerusalém – foi primeira vez que a cidade foi alvo de artilharia
aérea vinda de Gaza.
Mais
cedo, um míssil atingiu a cidade de Tel Aviv, principal centro urbano de
Israel. Foi a primeira vez que a capital do país foi atacada desde a Guerra do
Golfo, em 1991.
Os
ataques ocorreram em meio à escalada da violência iniciada por Israel na Faixa
de Gaza, após o assassinato do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari, na
última quarta-feira (1411). Antes da escalada do conflito, Israel promoveu
repetidos ataques aéreos em Gaza, enquanto militantes palestinos lançaram mais
de 200 foguetes desde a fronteira. Os foguetes podem atingir alvos até 75 km de
distância.
Lado
político
A
decisão de Netanyahu de atacar a Faixa de Gaza a apenas poucos meses das
eleições gerais de Israel é vista por setores da esquerda local como uma possível
estratégia para acumular popularidade nas urnas, conforme apurou reportagem do
Opera Mundi. Políticos e imprensa se questionam se Netanyahu iniciou a operação
aérea (que pode vir a se tornar também terrestre) na tentativa de desviar a
atenção da opinião pública de outras questões prementes, como, por exemplo, a
economia e a deterioração do estado de bem-estar social.
de
10 anos, chora a morte da menina durante funeral na Faixa de Gaza
No
histórico das últimas sete eleições gerais de Israel, a operação batizada de
Pilar Defensivo já é a quinta ofensiva militar sobre a Palestina que eclode às
vésperas do início dos comicios. “Em 2009, a apenas dois meses das
eleições, o então primeiro-ministro Ehud Olmert decidiu iniciar a operação
Chumbo Fundido, que matou 1400 palestinos”, explica Ahmed Tibi, membro da
bancada do Partido da Lista Árabe Unida no parlamento israelense.

“O
mesmo ocorreu em 1981, quando Menachem Begin atacou Badgá a apenas meses dos
comicios. Simón Peres também estava a alguns meses das eleições durante a
operación Uvas da Ira no Líbano. E a lista continua. O padrão de atacar antes
das eleições é muito frequente em Israel”, comenta Tibi.

Outros
políticos de  esquerda ou centro, como
Shelly Yehimovich, líder do Partido Trabalhista, comentaram à imprensa que essa
operação é muito “oportuna” para incrementar a popularidade de Netanyahu. Até
Tzipi Livni, que liderou o partido oposicionista Kadima e se aposentou da
política antes das eleições, criticou a decisão de iniciar uma ofensiva contra
Gaza.
O
governo israelense defende a ideia de que a operação Pilar Defensivo é
necessária para garantir a segurança dos cidadãos do sul do país.
Fonte:http://operamundi.uol.com.br
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