Saiba como o FBI infiltra falsos terroristas na comunidade islâmica para planejar atentados de falsa bandeira

Quando
o FBI anuncia que um plano terrorista foi desmantelado em território americano,
como fez várias vezes nos últimos anos, a imprensa costuma comemorar. Mas o
documentário de rádio “This American Life”, produzido pela Chicago Public Media
e transmitido em mais de 500 estações nos Estados Unidos,  revela um outro lado da história.

Os
detalhes apelativos dos tais planos terroristas ganham grande repercussão: em
2010, Mohamed Osman Mahamud planejou detonar uma bomba em um evento natalino
lotado; em 2009, Hosam Maher Husein Smadi arquitetou a destruição de um
arranha-céu em Dallas e Farooque Ahmed esboçou um ataque ao metrô de
Washington; e em 2011, Rezwan Ferdaus foi preso depois de planejar atacar o
Pentágono com aviões de controle remoto cheios de explosivos.

Mas
pouco se fala sobre como o como o FBI consegue dar cabo destas conspirações. A
resposta é simples e estarrecedora: em todos estes casos, agentes infiltrados
do próprio FBI planejaram os ataques, forneceram materiais e encorajaram os
“terroristas” – frequentemente adolescentes – a participar.

“Repetidamente,
o FBI fabrica ataques terroristas”, escreve o analista Glenn Greenwald. “Eles
se infiltram em comunidades muçulmanas para achar recrutas, os convencem a
realizar ataques, fornecem dinheiro, armas e o know-how para levar seu plano
adiante – apenas para saltar heroicamente no último instante, prender os
supostos agressores que o FBI havia convertido, e salvar uma grata nação de uma
trama orquestrada pelo próprio FBI”
Parece
mentira, mas não é. O documentário feito pelo “This American Life” conta a
história de uma das mais desastrosas e chocantes tramas armadas pelo FBI. Em
2006, um marginal de quinta chamado Craig Monteilh foi recrutado pelo órgão
para infiltrar-se numa mesquita em Orange County, na Califórnia.
Monteilh
é branco, tem 1,87 metros e é musculoso como um fisiculturista. Sua missão era
atrair homens da mesquita para a sua academia, onde os recrutaria para um plano
terrorista com discursos sobre a jihad e Osama Bin Laden. O nome da missão:
Operação Flexão.

Mas
a operação encontrou uma pedra no meio do caminho: os alvos de Monteilh estavam
mais interessados em jogar vídeogames do que na academia. Mesmo assim, Ayman e
Yassir, os jovens que seriam aliciados pelo infiltrado marombeiro, gostaram do
novato e começaram a andar com ele. Mas se assustaram quando Farouk, nome falso
usado por Monteilh, começou a falar em “jihad” e “Osama Bin Laden” sempre que
tinha uma oportunidade.

Nem
Ayman e nem Yassir mostraram o mínimo interesse em discutir jihad ou
terrorismo. Por isso, quando Monteilh começou a discutir a possibilidade de
realizar um ataque à bomba, os dois jovens correram para denunciá-lo – para o
próprio FBI.
O
FBI negou-se a comentar a história. Principal órgão federal americano de
investigação, hoje o FBI está sendo processado por membros da mesquita.
E
Craig Monteilh é a testemunha principal contra seus antigos empregadores.

No
ano passado, a Associated Press ganhou o prêmio Pulitzer de reportagem
investigativa depois de descobrir uma operação secreta de espionagem maciça da
polícia de Nova York que monitorava comunidades muçulmanas da cidade, apesar de
não haver evidências de atividade terrorista.

Seja
por meio de infiltrações em mesquitas por parte do FBI ou por policiais que
espionam cafés e lugares de convivência, não é de se espantar que muitos
líderes muçulmanos nos EUA estejam denunciando um clima de medo e desconfiança,
semeado por ineficazes – e às vezes risíveis – ações das forças de segurança
americanas.
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