O governo americano realizou experimentos em veteranos militares sob as operações MKUltra, Bluebird e Artichoke

Os
Estados Unidos, pelos seus esforços, alcançou muito em seus mais de 230 anos de
história. É uma benevolente superpotência mundial, geralmente, que serve como
um farol de esperança e liberdade para um mundo cada vez mais oprimido,
enquanto serve como um guardião contra a tirania para pelo menos metade das
quase sete bilhões de pessoas do mundo.

Mas
alguns capítulos em nossa história – escravidão, opressão das tribos americanas
nativas, causas do movimento de direitos civis, e momentos de inconstitucionalidade
da parte de nossos líderes eleitos – servem mais do que simples manchas em um
registro de outra forma admirável de defesa da liberdade e imunidade. Uma
mancha é a forma como temos tratado alguns veteranos militares de nossa nação.
Os
mau-tratos são resumidos em um caso federal recente. No final de julho um grupo
de veteranos conseguiu ganhar no tribunal uma ordem forçando o Departamento de
Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos a entregar uma coleção de documentos
detalhando as experiências com drogas da época da guerra fria em veteranos do
Vietnã. O que é tão problemático sobre este caso não é a decisão – o assunto de
veteranos deve a estes veteranos quaisquer respostas que eles estejam
procurando- mas o fato de que o caso tivesse de ser apresentado.
“Projeto
Paperclip”
De
acordo com os documentos do tribunal, a juíza Jacqueline Scott Cortey, em
Oakland, Califórnia, disse em sua sentença que os documentos pedidos pelos  veteranos queixosos eram “diretamente
relevantes” para a reivindicação deles de que o governo, através do VA
(Veteran Affairs), não notificou adequadamente os veteranos dos produtos
químicos a que eles estavam propositalmente expostos durante a experiência, e,
talvez mais importante, quais efeitos aquela exposição poderia ter tido em sua
saúde física e mental.

Detalhes
desse triste episódio em nossa história estavam contidos em uma ação civil
pública de 2009. Registrado pelos veteranos do vietnã da América e soldados
individuais, o processo acusa o exército americano e a CIA, com a ajuda de ex
cientistas nazistas, de usar pelo menos 7.800 veteranos como cobaias para
testar os efeitos de pelo menos 400 diferentes tipos de drogas e produtos
químicos. Inclusive mescalina (alcalóide psicodélico), LSD (droga psicodélica),
anfetaminas, barbitúricos, agente nervoso e gás mostarda.

O
processo também diz que o governo trabalhou para encobrir o teste e a natureza
dos experimentos, que começou em 1950 sob nomes código exóticos como
“Bluebird”, “Artichoke” e “MKUltra”. 

O
governo lançou o “Projeto Paperclip”, o processo alega, e o esforço
total do exército e da CIA para supostamente recrutar ex-nazistas para ajudar a
testar vários produtos químicos psiquicos, bem como desenvolver um novo soro da
verdade usando os próprios veteranos do país como sujeitos de teste, relatou o
Serviço de Notícias do Tribunal.

“Cerca
de metade desses nazistas recrutados tinham sido membros da SS ou do Partido
Nazista”, disse a Ação Civil Pública. “O nome ‘Paperclip’
(grampeador) foi escolhido porque muitos dos pedidos de emprego eram grampeados
aos documentos de imigração”.

De
acordo com Colin A. Ross, psiquiatra e autor de “Os médicos da CIA”,
disse que ele se debruçou sobre mais de 15.000 documentos recebidos da
principal agência de espionagem da nação detalhando as operações de
“controle mental” que ele disse que tiveram lugar entre 1950 e 1972
“em muitas das principais universidades incluindo Harvard, Yale, Cornell,
Johns Hopkins e Stanford”.

O
objetivo, simplesmente, é o controle mental
Em
um relatório postado no website do Citizens Commission on Human Rights
International, Ross disse “MKUltra e programas relacionados tinham
diversos propósitos sobrepostos”.
“Um
era comprar drogas de controle mental dos fornecedores. Outro era formar um relacionamento
com pesquisadores que poderiam depois ser usados como consultores em um nível
super secreto”, ele escreveu. “O propósito central desses programas
era aprender como melhorar os interrogatórios, apagar e inserir memórias e
criar e dirigir candidatos manchus”. 

Ross
disse que tudo isso está documentado “clara e explicitamente” em
documentos liberados da CIA que ele obteve, embora ele tenha dito que foi
meramente um vislumbre da ponta do iceberg do controle mental da CIA e dos
militares”.

“Aos
sujeitos experimentais não eram ditos os propósitos verdadeiros dos
experimentos, não dava consentimento informado, não era oferecido
aconselhamento externo e não recebiam acompanhamento significativo”, ele
excreveu. Como descrito por psiquiatras e documentos publicados, experiências
com LSD e outros alucinógenos, combinados com privação sensorial, eletrochoque
e outras técnicas de interrogatório, resultavam em psicose e morte entre outros
‘efeitos colaterais’. O propósito dessas experiências era ver quão facilmente
uma pessoa poderia ser colocada em um estado psicótico ou controlado.”
Em
uma análise crítica do programa MKUltra, que foi lançada em 1953, a Wired.com
disse que o objetivo dele era, simplesmente, controle mental.  

“1953:
A Agência lança um de seus mais duvidosos programas secretos, tornando seres
humanos inocentes em cobaias para sua pesquisa de drogas de alteração da
mente”, disse a reportagem, que dizia então que o diretor da Agência
Central de Inteligência Allen Dulles autorizou o programa.

“Dulles
queria fechar a “lacuna de lavagem central” que apareceu depois que
aprendeu que prisioneiros de guerra na Coreia foram sujeitados a técnicas de
controle mental pelos seus captores”, disse a Wired.com.
Assassinos
Programáveis
Detestando
ser ultrapassada por inimigos estrangeiros, a CIA procurou, através de sua
pesquisa, desenvolver um soro da verdade para melhorar os interrogatórios de
prisioneiros de guerra e espiões capturados. A agência também queria
desenvolver técnicas e drogas, tais como ‘pílulas de amnésia’, para criar
superagentes da CIA que seriam imunes aos esforços de controle mental dos
adversários”.

A
criação dos assim chamados candidatos manchus, essencialmente um assassino
programável, também era um objetivo do programa.

Além
de drogas e experiências com produtos químicos, o programa incluía o uso de
implantes radiológicos, hipnose e persuasão subliminar, terapia de eletrochoque
e técnicas de isolamento, o relatório dizia.
Em
seu processo, os veteranos levantaram acusações semelhantes, de que o governo
estava tentando desenvolver e testar substâncias capazes de induzir controle
mental, euforia, personalidades alteradas, confusão, paralisia física, loucura,
pensamento ilógico e outros efeitos.

Muitos
dos experimentos, o processo diz, eram conduzidos em instalações do exército em
Edgewood  Arsenal e forte Detrick. Alguns
deixaram vários veteranos sobrecarregados com debilitantes problemas de saúde
por décadas. Pior, os veteranos dizem que o governo tem negligenciado fornecer
cuidados de acompanhamento médico para mitigar os danos.

Alguns
soldados morreram por causa da experiência, enquanto outros sofreram
indisposição física e mental, incluindo convulsão e paranoia, observou-se em
uma decisão anterior do caso.
Nessa
última proposta para divulgação completa, a associação de veteranos procurou
documentos do governo que revelassem os processos dos veteranos de
identificação e notificação dos soldados que pudessem ter sido expostos aos
produtos químicos e testes biológicos.
Sem
propósitos médicos relevantes
Na
argumentação contra a liberação dos documentos, advogados de assuntos de
veteranos disseram que a agência deveria ser dispensada de fazer isso pelo
privilégio de processo deliberativo, que objetiva defender os processos de
tomada de decisões das agências governamentais.
A
juiza Corley não comprou o argumento, decidindo em vez disso que o grupo de
veteranos e outros “demonstraram uma suficiente e substancial necessidade
de superar o qualificativo de privilégio deliberativo de processo “.

“A
corte concorda que considerável descoberta tem sido proporcionada nessa
matéria; contudo, tendo revisado milhares de páginas de documentos apresentados
para uma revisão na câmara, a corte observa que estes processos estão longe de
serem claros ou consistentes, e, de fato, parecem terem sido submetidos a
numerosas modificações ao longo do tempo”, ela escreveu.

A
juíza Corley ordenou que o assuntos de veteranos liberassem mais de 40
documentos, que ela disse serem “tanto relevantes como indisponíveis de
outras fontes dado que os documentos refletem processos que evoluíram ao longo
do tempo”.
Ross
escreve, “O propósito dos experimentos de 
controle mental é controlar o comportamento humano: fazer os combatentes
inimigos se abrirem durante o interrogatório; proteger informações secretas
apagando as memórias; tornar os espiões mais resistentes a interrogatórios
porque as informações secretas são mantidas por identidades escondidas e tornar
pessoas mais sujeitas a influência, controle social e sugestão.
“As
experiências dos programas de controle mental e operacional violam direitos
humanos básicos e todos os códigos de ética médica”, ele disse.
O
governo nunca deveria usar cidadãos americanos ou outros para nenhum tipo de
experimento, pelo menos sem primeiro conseguir consentimento. Usar aqueles que
nos protegem e defendem para o mesmo é repulsivo.
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