Embaixada do Brasil em Israel já se prepara para uma possível “guerra na região”

A tensão crescente em Israel, em decorrência
das declarações do governo sobre um eventual ataque às instalações nucleares do
Irã, levou a Embaixada do Brasil em Tel Aviv a tomar medidas de precaução e a
estudar planos sobre a assistência à comunidade brasileira caso haja uma guerra
na região.

O conselheiro Roberto Parente, que é cônsul do
Brasil em Tel Aviv e está à frente dos planos de emergência, disse à BBC Brasil
que “obviamente há uma preocupação crescente”.
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“Estamos observando o clima aqui em
Israel e a todo momento há novas manchetes sobre um eventual ataque ao Irã, que
por sua vez poderia ter consequências graves”, afirmou.

“Nossa missão é, dentro do possível,
atender a comunidade brasileira quaisquer sejam as circunstâncias. Devemos nos
preparar para a possibilidade de que haja uma crise e tenhamos que deslocar
brasileiros de áreas de risco e até fornecer alojamentos temporários e
alimentação para essas pessoas”, afirmou Parente.

De acordo com a representação em Tel Aviv,
atualmente há cerca de 10 mil cidadãos brasileiros que vivem em Israel, além
dos cidadãos em trânsito, em visitas de turismo ou de negócios.
“Temos a obrigação de dar atendimento a
todos os cidadãos brasileiros aqui, tanto aos permanentes como aqueles que
estão em trânsito”, disse o diplomata.
Grande parte dos cidadãos brasileiros que se
encontram em Israel têm dupla cidadania – brasileira e israelense.

“A maioria deles vive aqui há muitos anos
e já criou sua vida aqui. Esses não teriam interesse de deixar o país mas
poderiam necessitar de deslocamentos internos”, disse o diplomata.

Saída emergencial
Para os brasileiros em trânsito, os planos
mais relevantes caso haja uma situação de risco dizem respeito a uma saída
emergencial do país.
“Temos que levar em consideração que, em
uma situação de guerra o espaço aéreo do país poderá ser fechado, nesse caso o
melhor caminho seria ajudar os brasileiros a saírem por vias terrestres,
principalmente através da Jordânia”, disse.
Outro tema que preocupa o cônsul é a
localização da embaixada brasileira em Tel Aviv.
“Caso haja um ataque de mísseis contra
Tel Aviv, os escritórios da nossa embaixada deverão ser transferidos
imediatamente para a residência”.
Os escritórios ficam em um prédio alto no
centro de Tel Aviv, que, segundo Parente, “poderá ser uma área de alto
risco”, já a residência da embaixada fica em um bairro mais afastado, em
uma casa mais segura.
Segundo Parente, “o problema principal é
a incerteza”.
“Não podemos saber ao certo quais serão
as áreas de risco e inclusive não podemos saber se haverá algum risco, mas
temos que estar preparados para as várias possibilidades”, afirmou.
Blefe
Entre os analistas há divergências sobre a
probabilidade de um ataque israelense ao Irã antes das eleições americanas.
Alguns afirmam que o ataque é “iminente”, outros dizem que o ataque é
“impossível” e há vários que dizem que “não se pode descartar
ambos os cenários”.
Para vários analistas, as declarações do
governo do primeiro ministro Binyamin Netanyahu “não passam de um blefe
para pressionar os Estados Unidos a agirem de maneira enérgica contra o
programa nuclear iraniano”.
Outros dizem que “o blefe já está indo
longe demais”.

“Temos, já montada, uma rede de
comunicações com a comunidade brasileira, que se multiplica por intermédio de
nosso Conselho de Cidadãos”, disse Parente, “se houver uma situação
de risco essa rede será acionada”.

Palestina
Nos territórios palestinos o clima é, nesse
sentido, bem mais tranquilo.
A BBC Brasil também conversou com o ministro
conselheiro João Marcelo Soares, encarregado de assuntos consulares no
Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia.
O escritório brasileiro em Ramallah tem um
plano para reagir a qualquer situação de emergência, desde diversos cenários de
conflagração de violência até desastres naturais.
“Em uma situação de crise deveremos
acionar nossa rede de contatos com a comunidade brasileira na Palestina, por
intermédio do Conselho dos Cidadãos que integra lideranças da comunidade”,
disse Soares.

“Temos um sistema de comunicação com a
comunidade, para qualquer tipo de crise, e esse sistema será aplicado conforme
o cenário que se configurar”, afirmou.

De acordo com o diplomata brasileiro em
Ramallah, cerca de 3,5 mil cidadãos brasileiros vivem nos territórios
palestinos, quase todos na Cisjordânia e apenas algumas famílias na Faixa de
Gaza.
Pressupõe-se que, se houver uma guerra entre
Israel e Irã, mesmo com o envolvimento da milicia xiita libanesa Hezbollah, os
riscos nos territórios palestinos seriam bem menores do que nas grandes cidades
israelenses.
Fonte: BBC Brasil
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