A “marca da besta” e o progresso tecnológico

Muito
se discute entre os cristãos se dispositivos como os famosos chips subcutâneos
seriam um prenúncio de aspectos descritos na Bíblia, no livro de Apocalipse
“O
leitor sente uma subversiva alegria em poder produzir ou criar um
sentido para o texto original.”


Robert Detweiler (professor norte-americano de Literatura Comparada)
“Seja
por causa de nossas limitações ou de nossa preguiça, frequentemente falhamos em
cobrir a distância que nos separa do texto bíblico, e é isso o que nos causa
problemas.
 – Moisés Silva (professor de Estudos Bíblicos
norte-americano de origem cubana)
Muitos
fiéis e estudiosos voltam sua atenção de um modo muito especial (e peculiar)
para o último livro da Bíblia, o Apocalipse. João, servo de Deus, recebeu de um
anjo revelações sobre o tão falado fim dos tempos. “Bem-aventurados os que leem
e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas,
pois o tempo está próximo.” (Apocalipse 1:3)
João
cita suas visões tais e quais as teve, cheias de simbolismos e alegorias, em
uma linguagem altamente metafórica. E justamente aí vem uma grande confusão por
parte de intérpretes da Bíblia: enquanto uns defendem que tudo é falado
simbolicamente, outros defendem que o conteúdo tem de ser levado ao pé da letra
– o que não diz respeito somente ao Apocalipse, mas a toda a Palavra Sagrada.

em Apocalipse a figura do anticristo, um líder mundial que, alegando querer
manter a ordem, seria carismático a ponto de desviar os fiéis de Deus. O mesmo
texto fala da “marca da besta”, uma distinção dada a todos os adoradores do
reino do mal. Independentemente da raça ou da classe social, a citada nova
ordem mundial impõe algo a todos os seres humanos, “… faz que lhes seja dada
certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte…” (13:16) Tal marca seria
obrigatória entre os conscientes e inconscientes seguidores da besta, com o
aval da figura de autoridade do anticristo. A identificação seria usada como
uma espécie de documento oficial, “para que ninguém possa comprar ou vender,
senão aquele que tem a marca…” (13:17)
O
chip subcutâneo
Ultimamente,
com o advento de aparatos tecnológicos que só existiam na ficção científica de
pouco mais de 100 anos para cá, tem sido muito discutido o chip de
identificação subcutâneo, um dispositivo eletrônico menor que um grão de arroz
que, sob a pele, traz todas as informações de seu portador. O chip funcionaria
mais ou menos como hoje funcionam os demais documentos convencionais: carteira
de identidade, cartões de crédito e débito, crachás para entrada em empresas e
instituições, entre outros. Mas também teria caráter de localizador: com o
Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System – o famoso GPS),
toda pessoa poderia ser localizada via satélite.
Os
cientistas que elaboram o chip, que já está inoculado em algumas pessoas e
animais para testes, alegam que ele seria muito útil para fins de resgate, por
exemplo. Ao digitar o código do chip, o satélite mostraria onde está seu
portador em meio a uma grande mata, ou mesmo em um centro urbano.
Chips
em documentos
Na
documentação tradicional, o microchip também já chegou. Cartões bancários e
documentos de identidade já são elaborados com as pequenas peças de silício com
todas as informações necessárias. Em alguns meses, começarão a ser distribuídas
no Brasil as novas carteiras de identidade eletrônicas, com as informações
escritas, como nas convencionais, com foto, mas também com o histórico do
cidadão em um chip na sua extremidade.
Motivo
de alarme?
Cristãos
de todo o mundo veem no chip subcutâneo e nas identidades com chip sinais de
que seriam as tão faladas “marcas da besta” do Apocalipse. Muitos pensam,
inclusive, em evitá-los. A série de filmes em longa-metragem “Deixados para
Trás”, lançada pelo circuito independente norte-americano e muito popular no
mercado de vídeo brasileiro, mostra o fenômeno sobrenatural do arrebatamento e
a obrigatoriedade da implantação do chip, a ponto de que quem se recusasse a
ele fosse preso pelas autoridades. Os filmes chegam a mostrar agentes do FBI
aprisionando simples cidadãos que se negam a ter o chip sob a pele.
Especula-se
que o aparelho funciona melhor no dorso da mão, ou na testa, o que até agora
não foi oficialmente comprovado.
Parecer
teológico
Segundo
o teólogo e mestre em filosofia Jonas Madureira, não há qualquer indício na
Bíblia de que os chips, em qualquer forma, sejam a tal “marca da besta” – pelo
menos até agora. Acontece que o Apocalipse é um livro confuso até mesmo para os
maiores estudiosos dos textos sagrados, cheio de enigmas e metáforas – como
referido no início da matéria.
Madureira
explica que muito dessa confusão se dá pelas diferentes correntes de
estudiosos. “Enquanto um grupo, mais moderno, defende que muito na Bíblia está
em forma de metáfora, de simbolismo, outra corrente mais tradicional afirma que
tudo deve ser interpretado ao pé da letra”, esclarece o teólogo. Jonas explica
que nas décadas de 20 e 30 do século passado, os liberais, que preferem a
interpretação metafórica, ganharam destaque. Para contrariá-los, os
fundamentalistas, mais tradicionais, defendem a literalidade dos textos
bíblicos. Para completar o imbróglio, há também correntes que, embora não sejam
liberais, aceitam a interpretação baseada no simbolismo.

quem ache realmente, mesmo nos círculos evangélicos, que os quase onipresentes
chips de silício são o falado selo do anticristo. Outros defendem que a tal
marca citada em Apocalipse não seria física, mas espiritual.
No
tocante a ambas as interpretações, vale salientar que nada está comprovado e
que qualquer informação não passa de especulação, embora estudos bastante
sérios estejam em andamento.
Desde
os tempos bíblicos, a marca que distingue o verdadeiro cristão está tanto em
suas atitudes quanto em seu coração. Quem busca verdadeiramente a Deus tem seu
futuro garantido, nestes tempos ou mesmo no fim deles.
De
qualquer modo, uma dica final de João no próprio Apocalipse resume tudo o que
foi dito no livro final da Bíblia: “… Aquele que tem sede venha, e quem
quiser receba de graça a água da vida.” (22:17)
Fonte: Arca Universal
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