Estudo alerta para risco de nova crise financeira mundial

A situação geral do setor
bancário neste ano se assemelha à que ocorreu com o colapso do Lehman Brothers,
afirma o BIS (sigla em inglês de Banco para Compensações Internacionais), que
também advertiu para o risco do Brasil.
Em seu último relatório anual, no qual o BIS analisa o sistema
financeiro internacional entre junho de 2011 e começo de junho de 2012, a
instituição adverte para a dependência de muitos bancos do financiamento dos
bancos centrais.

“Com esta perspectiva negativa do mercado e uma crise de
confiança entre as próprias instituições financeiras, vários bancos dependem do
financiamento do banco central e não estão em condições de promover o
crescimento econômico”, segundo o BIS.


APELO AOS BANCOS CENTRAIS
A instituição fez um apelo para que os bancos centrais prestem
mais atenção às repercussões no mundo das suas políticas internas.
Brasil e outros países têm reclamado de que um cenário monetário
muito frouxo pode desestabilizar os fluxos de capitais para os mercados
emergentes.
“Isso cria riscos de desequilíbrios financeiros similares aos
vistos nas economias avançadas nos anos que precederam a crise”, declarou
o BIS.

CHUVA DE DÓLARES
Nos últimos anos, os bancos centrais dos EUA e dos países europeus
repassaram bilhões de dólares aos respectivos setores financeiros,
principalmente após as turbulências de 2008, para evitar o agravamento da
crise.

A inundação de dólares levou o ministro brasileiro Guido Mantega a
divulgar a expressão “guerra cambial”, já que um dos possíveis
“efeitos colaterais” desse mecanismo é desvalorizar as moedas fortes
e fortalecer as moedas das economias emergentes.

Com uma moeda mais forte na comparação com o dólar, as exportações
de um país podem perder competitividade, afetando o equilíbrio de suas contas
externas.

DESCOMPASSO DE CRÉDITO
O aumento do crédito muito acima do crescimento econômico é
normalmente presságio de turbulência econômica. Esse é o caso quando tal
descompasso supera os 6%, segundo o BIS.
A instituição sustentou que o Brasil está na zona de perigo por
considerar haver um descompasso entre o crescimento do crédito e da expansão da
economia.

Citou também preocupação com o nível de endividamento das famílias
e das empresas brasileiras e com o forte crescimento dos preços do mercado
imobiliário.

Na Tailândia e na Turquia, o descompasso entre crescimento e
crédito é de pelo menos 15%. Brasil e Indonésia também estão na zona de perigo,
com mais de 6%, de acordo com o BIS.
O aumento do crédito na Argentina e na China também ultrapassou o
crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), mas o descompasso deles está bem
abaixo da marca de 6%.

PREÇOS DOS IMÓVEIS DISPARAM
O preço de ativos também é um problema em muitas economias
emergentes, afirmou o BIS. Em alguns mercados locais brasileiros, os preços de
imóveis praticamente dobraram. Em algumas cidades chinesas, os preços subiram
ainda mais rápido.

Outra preocupação é endividamento. O montante que lares e empresas
no Brasil, China, Índia e Turquia destinam a dívidas está no seu nível mais
alto desde o fim dos anos 1990, apesar das baixas taxas de juros.

O BIS sustentou que uma saída é adotar medidas macroprudenciais
como ação para reduzir o crescimento do crédito.
Fonte: Folha.Uol
Please follow and like us:

Você pode gostar também

Deixe uma resposta