Corrupção faz da Eurocopa 2012 uma das mais caras da história

Em
meio à crise econômica, a Ucrânia gastou bilhões de euros do dinheiro
público para sediar o evento. Com a eliminação do time da casa na
primeira fase do torneio, a única herança após a competição será o saldo
negativo no orçamento público.

Este ano, Eurocopa está sendo sediada em dois países da extinta União
Soviética: Polônia e Ucrânia. A última vez em que a Eurocopa foi
realizada no leste foi em 1976 na Iugoslávia. Em meio à pior crise da
Europa desde a Segunda Guerra Mundial, duas das nações mais pobres do
continente realizaram uma das copas mais caras da história.

Na Ucrânia, o orçamento estourou várias vezes. A construção da Arena
Lviv, por exemplo, ficou 90 milhões de euros mais cara do que o
planejado. A UEFA ameaçou, mais de uma vez, cancelar o campeonato no
país devido à lentidão dos preparativos. Economistas preveem que a
Ucrânia saia do torneio com um saldo negativo de bilhões de euros.

Segundo o grupo austríaco de análise econômica, Raiffeisen Research, o
montante de dinheiro público ucraniano gasto na Eurocopa foi de 10,2
bilhões de euros. De acordo com o relatório, a soma não será compensada
com a venda de ingressos. Calcula-se que a receita gerada com ingressos
será de 150 milhões de euros. Outros 150 milhões devem entrar com o
comércio de souvenires, alimentos e bebidas nas imediações dos estádios.
Um saldo negativo de mais de 9 bilhões de euros.

Este mês, o jornal ucraniano Ukrainska Prawda e o alemão Frankfurter
Allgemeine revelaram que os altíssimos valores do torneio estão
relacionados a superfaturamentos na contratação de serviços de
construção e restauração de estádios, estradas e aeroportos.

A Ucrânia é um dos países mais corruptos do mundo. No ranking Corruption
Perceptions Index 2011 da organização Transparency Internacional, o
país aparece em 152º lugar numa lista com 182 nações, sendo que a
primeira é a menos corrupta. Muitos políticos são também empresários e
possuem participação na maioria das empresas que prestam serviços
milionários ao governo, revelou a imprensa ucraniana e alemã.

De acordo com os jornais locais, há sempre as mesmas pessoas por trás
dos negócios fechados com o setor público. Um dos oligarcas citados é
Boris Kolesnikow. Ele é vice-primeiro-ministro, ministro de
infraestrutura, responsável pelos preparativos da competição,
vice-presidente do clube de futebol Schachtior Donetsk e um dos
empresários da AK Engineering – companhia contratada por 8 milhões de
euros para reformar uma parte do Olímpico de Kiev.

Outro exemplo de corrupção é a Arena Lviv. A construção tinha sido
orçada em 152 milhões de euros por uma empresa austríaca. Mas a proposta
foi recusada por ter sido considerada “muito cara”. No fim, a ucraniana
Altcom foi contratada por 240 milhões de euros. Esta é a empresa que
presta a maioria dos serviços para o governo, sempre com suspeitas de
superfaturamento. Muitos políticos participam na empresa.

A restauração do Olímpico de Kiev custou 440 milhões de euros. O estádio
de Munique, por exemplo, equipara-se quanto à capacidade e a qualidade e
custou apenas 350 milhões de euros, sendo que ele foi construído e não
renovado. “Bilhões foram perdidos com superfaturamentos — acredito que
40% do dinheiro público”, disse Ostap Semerak, membro do parlamento e da
comissão responsável pelo orçamento nacional.

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