Assad diz que Síria enfrenta “guerra” contra o terrorismo e fala em “conspiração” internacional contra o país

O presidente sírio, Bashar Assad, disse neste domingo (3) que a Síria
enfrenta uma “verdadeira guerra” e pediu que se diferencie entre a
política e o terrorismo para solucionar a crise pela qual o país está passando.
Falou ainda que existe uma “conspiração internacional” contra a Síria.

O
primeiro discurso televisionado de Assad depois do massacre que deixou mais de
100 mortos em Houla, no centro do país, foi realizado perante o recentemente
constituído Parlamento sírio.
Após evidenciar que os atos de violência aumentaram enquanto continua o
processo político, o presidente destacou que a Síria “não enfrenta um
problema político, mas um projeto para a destruição da nação cujo instrumento é
o terrorismo”. 

Para Assad, o país está envolvido em uma “verdadeira
guerra” contra o terrorismo, que merece um tratamento “diferente ao
dos assuntos internos”. “As portas ainda estão abertas para quem
queira uma reforma verdadeira”, disse.

Assad ressaltou sua determinação em lutar contra a revolta que sacode o
regime há quase 15 meses. Mas, segundo ele, os responsáveis pelo “terrorismo
não estão interessados em diálogo reformas”. “A Síria está aberta a todos os
sírios, sejam quais forem suas opiniões, mas o terrorismo não pode fazer parte
do processo político e devemos lutar contra o terrorismo para curar a nação.
Vamos continuar lutando contra o terrorismo”.

Ele fez um pedido para que as pessoas envolvidas na violência e que
não cometeram delitos de sangue se entreguem, comprometendo-se a não
castiga-las.

Assinalou ainda que a Síria enfrenta uma “conspiração”
internacional que foi sendo costurada durante décadas.
Assad, cuja família está no poder há quatro décadas, fez poucas
aparições públicas desde o início da revolta popular em março do ano passado e
sempre evocou um suposto complô de grupos terroristas “tramando com o exterior”
para disseminar o caos no país.
O pronunciamento deste domingo ocorre depois que o enviado especial da
ONU (Organização das Nações Unidas) e da Liga Árabe, Kofi Annan, alertou do
risco de uma guerra civil sectária na Síria, cuja crise começou a ter
repercussões em outros países.
À falta de avanços do plano de paz proposto por Annan se uniu esta
semana a retirada dos embaixadores sírios dos principais países ocidentais, em
resposta ao recente massacre de mais de na região de Houla, no centro do país.

Em relação a este episódio de violência, Assad negou a participação de
tropas estatais e criticou a “difamação das Forças Armadas” e disse
que seus inimigos “trabalham para criar uma divisão sectária e esta é sua
última carta porque já se esgotaram todas as suas opções”.

Assad chamou de “bárbaros” os autores do massacre de Houla e homenageou
as Forças Armadas da Síria em discurso realizado neste sábado, na capital
Damasco.
“O que ocorreu em Houla e em outros lugares [da Síria] são massacres
selvagens, os bárbaros não poderiam tê-los realizado”, disse.
Ele também homenageou “todos os mártires, civis e militares” e
acrescentou que o sangue dessas pessoas “não foi derramado em vão”.
Os rebeldes e o regime se acusam mutuamente pelo ataque em Houla, que
deixou 108 mortos, incluindo 49 crianças, no último dia 25. Um alto
representante da ONU (Organização das Nações Unidas), no entanto, disse que
pesavam “fortes suspeitas” de que a responsabilidade tenha sido das milícias
favoráveis ao regime de Assad.

“Depois da matança odiosa de Houla, eles acusaram o exército, mas logo
se retrataram para acusar as milícias favoráveis ao regime”, disse Assad, sem
indicar a quem se referia ao dizer ‘eles’. “Os criminosos estão planejando
cometer outros crimes”, acrescentou.

Ao elogiar as Forças Armadas do país, disse que transmitia “seu respeito
e estima aos soldados heróis que se sacrificaram pela pátria”. Completou
afirmando que muitos usam “os erros cometidos pelo Exército para ampliá-los e
mostra-los como uma política adotada pelo Estado”.
Mais de 13.400 pessoas já morreram ao longo de quase 15 meses, a maioria
civis vítimas da repressão, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
A violência segue deixando dezenas de mortes no país a cada dia, mesmo
com a presença de quase 300 observadores da ONU encarregados de fiscalizar o
acordo de cessar fogo proclamado em 12 de abril e sistematicamente infringido.
*Com agências
internacionais
Fonte: Uol
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