Crise econômica: Temor de saída do euro leva gregos a sacarem reservas bancárias

Os
gregos estão retirando suas reservas bancárias diante do temor de que o
país deixe a zona do euro, e o presidente Karolos Papoulias alertou
para o risco de “pânico” no sistema financeiro, segundo atas de reuniões
dele com líderes políticos.

Sem acordo
entre os partidos para a formação de uma nova coalizão, a Grécia caminha
para novas eleições em 17 de junho, nas quais as pesquisas apontam um
crescimento dos políticos contrários ao pacote de resgate financeiro da
UE e FMI para o país.

George
Provopoulos, presidente do banco central do país, disse que os
poupadores sacaram pelo menos 700 milhões de euros (894 milhões de
dólares) na segunda-feira, segundo relato do presidente aos líderes
partidários.

“O sr.
Provopoulos me disse que não havia pânico, mas havia um grande medo de
que isso possa evoluir para pânico”, afirmou Papoulias, segundo as atas.

Fontes de pelo
menos dois bancos disseram que os saques prosseguiram no mesmo ritmo na
terça-feira, e que a cifra citadas pelo presidente eram corretas. Há
anos os gregos vêm sacando dinheiro dos bancos, e não há filas nas
agências bancárias em Atenas, mas tal volume de retiradas em apenas dois
dias é excepcional. Em abril de 2010, logo antes da concessão do
primeiro pacote financeiro internacional ao país, 8 bilhões de euros
foram resgatados.
Segundo cifras
do BC, empresas e famílias gregas tinham 165 bilhões de euros
depositados no final de março, cifra que é 72 bilhões inferior à de
janeiro de 2010. Especialistas dizem que isso se deve a uma fuga de
capitais e ao fato de alguns gregos precisarem recorrer às suas
poupanças por causa da crise.

Nove dias
depois de uma inconclusiva eleição, os partidos gregos, divididos entre o
apoio e a rejeição ao impopular pacote da UE e FMI para o país,
desistiram de montar uma coalizão, abrindo caminho para uma repetição do
pleito.

Na reunião de
quarta-feira com Papoulias, os líderes partidários concordaram com a
nomeação de um experiente juiz como primeiro-ministro interino até a
eleição, disse a jornalistas Panos Kammenos, líder do partido
conservador Gregos Independentes, após o encontro.

As pesquisas
mostram que o eleitorado está irritado por causa dos cinco anos de
recessão, do desemprego recorde e dos cortes salariais dos últimos
tempos. Esse sentimento se acentuou desde a votação de 6 de maio, e o
partido radical esquerdista Syriza tem, segundo as pesquisas, chances de
vencer a eleição com sua plataforma de rejeição ao pacote. Analistas
não descartam, porém, que o ambiente político volátil resulte novamente
em um Parlamento fragmentado.

Autoridades do
Banco Central Europeu e de governos de países europeus ameaçam parar de
financiar a dívida grega se o país escolher um governo que rejeite as
medidas de austeridade previstas no pacote de resgate financeiro.

Mas muitos
gregos dão de ombros para essa ameaça, e não veem contradição entre seu
arraigado desejo de permanecer na zona do euro e sua oposição às
condições impostas pela UE e o FMI.

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