Jornal chavista diz: “Se os sionistas chegarem ao poder na Venezuela, estaremos em maus lençóis”.

O Kikiriki, apesar do nome engraçado, é um dos
mais antigos jornais de esquerda da Venezuela – ou seja, não é um mero acidente
marrom. Esse semanário chavista publicou a manchete acima, que, numa tradução
elegante, pode ser lida como “Capriles Radonski é o candidato deles. Se os judeus chegarem ao poder, estamos ferrados”.

Era uma referência ao candidato de oposição à
Presidência venezuelana, Henrique Capriles – que se diz católico e cujos avós
por parte de mãe eram judeus, mortos no campo de concentração nazista de
Treblinka.

Não é a primeira vez que as hostes chavistas
apelam ao antissemitismo explícito para atacar o adversário de Hugo Chávez. Em
outra oportunidade, um desses intelectuais acusou os “sionistas” de dominarem a
mídia, os bancos e os governos ao redor do mundo.

No caso do Kikiriki, o jornal nem se deu ao
trabalho de disfarçar o ódio aos judeus a título de crítica aos “sionistas”. O
máximo de “sutileza” foi ter colocado uma foto com a legenda “Menino palestino
após um bombardeio israelense”. Ou seja: era uma advertência aos venezuelanos
sobre do que os judeus são capazes.
Mas isso é só a Primeira Página do periódico.
As páginas internas reservam material ainda mais didático sobre a imaginação
dos antissemitas venezuelanos que militam no chavismo. Um dos textos diz que
Capriles é vinculado à TFP, que por sua vez é “associada” do “lobby judaico” –
ao qual o Kikiriki atribui a propriedade dos principais bancos, meios de
comunicação e indústrias tecnológicas e bélicas do mundo, com poder para nomear
os principais ministros dos governos mais poderosos do mundo.

O melhor, no entanto, é o editorial. O texto
questiona “por que a palavra Israel aparece milhares de vezes (na Bíblia), de
ponta a ponta, e por que Deus prometeu umas terras e os nomeou (aos judeus) os
membros eleitos sobre este planeta”. A resposta, afirma o editorial, é que
“quem escreve a história se coloca como protagonista e como vencedor”, e a
Bíblia é obra de judeus. E então o Kikiriki arremata:

“É preciso falar disso porque os judeus
sionistas se apoderaram do dinheiro do mundo e de suas grandes corporações,
bancos e empresas, assim como dos meios de rádio, TV e jornais e agora puseram
os olhos na Venezuela.
Capriles Radonski, bilionário, é filho de pai judeu e de
mãe judia, razão pela qual é preciso estudar suas conexões internacionais e
aprofundar sua história. Estaremos fodidos se os judeus chegarem ao poder – e
quem tiver dúvida disso, que pergunte aos palestinos e aos árabes”.
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