Ativistas preparam protesto contra a Globo no caso BBB

A Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação (Frentex), o Fórum Nacional pela Democratização na Comunicação (FNDC) e a Rede Mulher e Mídia estão organizando um protesto em frente à sede da TV Globo, na capital paulista (Av. Dr. Chucri Zaidan, esquina da Av. Roberto Marinho), nesta sexta-feira, 20, das 12h às 14h. As entidades consideram que a atitude da emissora diante da gravidade do caso do Big Brother Brasil (BBB) foi absurda.

Em nota, as entidades afirmam que “frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo”.

O protesto já tem uma página no Facebook, e, além da responsabilização da emissora, vai cobrar que os anunciantes do programa sejam co-responsáveis e que o Ministério das Comunicações coloque em discussão propostas para um novo marco regulatório do setor.
 
Leia abaixo a íntegra da nota:
 
Pela imediata responsabilização da TV Globo no caso BBB
Dois fatos muito graves ocorreram esta semana envolvendo o Big Brother Brasil. O primeiro foi com a participante Monique, que pode ter sido vítima de crime praticado por outro integrante do programa. O segundo foi a absurda atitude da TV Globo frente ao ocorrido. Em relação ao primeiro, cabe à polícia apurar e à justiça julgar, buscando ouvir os envolvidos, garantindo que eles estejam livres de pressões e constrangimentos. Já em relação ao segundo, é preciso denunciar a emissora e os anunciantes que sustentam o programa, e cobrar as autoridades do setor.
 
Frente a indícios de um possível abuso sexual contra uma mulher participante de um de seus principais programas, a Globo, além de não impedir a violência no momento em que ela poderia estar ocorrendo, tentou escamotear o fato, depois buscou tirar de circulação as imagens e finalmente assumiu o ocorrido sem nomeá-lo. 

Na edição de domingo do programa, após todas as denúncias que aconteciam pela internet, ela transformou a suspeita de um crime em uma cena “de amor”. O espírito da coisa foi resumido pelo próprio apresentador Pedro Bial: “o espetáculo tem que continuar”. A atitude é inaceitável para uma emissora que é concessionária pública há 46 anos e representa uma agressão contra toda a sociedade brasileira.

Pelas imagens publicadas, não é possível dizer a extensão da ação e saber se houve estupro. A apuração é fundamental, mas o mais importante é o que o episódio evidencia. Em primeiro lugar, a naturalização da violência contra as mulheres, que revela mais uma vez a profundidade da cultura machista no país. No debate público, foram inúmeras as tentativas de atribuir à possível vítima a responsabilidade pela agressão, num discurso ainda inacreditavelmente frequente. O próprio diretor do programa, Boninho, negou publicamente que as imagens apontassem para qualquer problema.
Em segundo lugar, o episódio revela o ponto a que pode chegar uma emissora em nome de seus interesses comerciais. A Globo fatura bilhões de reais anualmente pela exploração de uma concessão pública, e mostra, com esse episódio, a disposição de explorá-la sem qualquer limite nem nenhum cuidado com a dignidade da pessoa humana. 

O próprio formato do programa se alimenta da exploração dos desejos e das cizânias provocadas entre os participantes e busca explorar situações limite para conquistar mais audiência. Assim, o que aconteceu não é estranho ao formato do programa; ao contrário, é exatamente consequência dele.

Em terceiro lugar, fica evidente a ausência de mecanismos de regulação democrática capazes de apurar e providenciar ações imediatas para lidar com as infrações cometidas pelas emissoras. Como já vem sendo apontado há anos pelas organizações que atuam no setor, não há hoje regras claras que definam a responsabilidade das emissoras em casos como esse, nem tampouco instrumentos de monitoramento e aplicação dessas regras, como um Conselho Nacional de Comunicação ou órgãos reguladores.
 

Uma das poucas regras existentes para proteger os direitos de crianças e adolescentes – a classificação indicativa – está sendo questionada no STF, inclusive pela Globo. A emissora, que costuma tratar qualquer forma de regulação democrática como censura, é justamente quem agora pratica a censura privada para esconder sua irresponsabilidade. É lamentável que precise haver um fato como esse para que o debate sobre regulação possa ser feito publicamente.

Frente ao ocorrido, exigimos que as Organizações Globo e a direção do BBB sejam responsabilizados, entre outros fatos, por:
– Ocultar um fato que pode constituir crime;
– Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de uma pessoa vulnerável;
– Atrapalhar as investigações de um suposto crime;
– Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava supostamente desacordada.
É preciso garantir, no mínimo, multas vultuosas e um direito de resposta coletivo para as mulheres, que mais uma vez tiveram sua dignidade atingida nacionalmente pela ação e omissão da maior emissora de TV brasileira.
Os anunciantes do BBB – OMO (Unilever), Niely Gold, Devassa (Schincariol), Guaraná Antártica e Fusion (Ambev) e FIAT – também devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los. Suas marcas estão ligadas a um reality show que, para além de toda a crítica sobre os valores que propaga à sociedade – da banalização do sexo e do consumo de álcool à mercantilização dos corpos – , permite a violação de direitos fundamentais.
Finalmente, é fundamental que o Ministério das Comunicações coloque em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões.
Este é mais um caso cujas investigações não podem se restringir à esfera privada e à conduta do participante suspeito. Exigimos que o Poder Executivo cumpra seu papel de fiscal das concessionárias de radiodifusão e não trate o episódio com a mesma “naturalidade” dada pela TV Globo. Esperamos também que o Ministério Público Federal se coloque ao lado da defesa dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana e responsabilize a emissora pela forma como agiu diante de uma questão tão séria como a violência sexual contra as mulheres.
Brasil, 18 de janeiro de 2012
FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Rede Mulher e Mídia
Articulação de Mulheres Brasileiras
Campanha pela Ética na TV
Ciranda
Coletivo Feminino Plural
Observatório da Mulher
Associação Mulheres na Comunicação – Goiânia
COMULHER Comunicação Mulher
HUMANITAS – Diretos Humanos e Cidadania
Marcha Mundial das Mulheres
Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
SOF – Sempreviva Organização Feminista
SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia

Fonte: http://amigosdatvbrasil.blogspot.com/2012/01/ativistas-preparam-protesto-contra.html

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9 thoughts on “Ativistas preparam protesto contra a Globo no caso BBB”

  1. AIAIAI!!!!mas que droga!!!adianta de que esse protesto????Houve crime??!! que tipo de crime!! vcs viram o histórico da moça???a maior maria chuteira uma baita de uma bisca,alguém aí acha que ela tá lá pra que??? pra virar capa de playboy,e conseguir seus cinco minutos de fama.Pra mim tudo isso que estão falando que aconteceu é jogada,e não vai dar em nada. Sinceramente, estupro???!!!!!!

  2. que matéria RIDICULA!não por vc ter postado mas ela em si entendi, há pessoas ainda q acredita q isso td ocorreu por mero acaso,ME POUPE. assim, na mha modestia opinião,no dia q o POVO ACORDAR P VIDA,"pode ser" pode ser bem lá longe,q esse mundinho jaz do maligno toma algum rumo DESCENTE!Ou seja,lá p FIM DOS TEMPOS! Programinha NOJENTO E RIDICULO, COMO TODOS OS PROGRAMAS DESSA EMISSORA NOJENTA E PIOR, SATÂNICA!!

  3. BIG VERGONHA BRASIL

    O presente texto refere-se ao escândalo protagonizado por dois participantes da décima segunda edição do Big Brother Brasil. Acredito até que um reality show com chimpanzés seria bem mais interessante do que isso que a Rede Globo exibe.
    Mas, vamos aos fatos que remeteram ao escândalo. Na primeira festa oferecida aos participantes, houve um incidente envolvendo um rapaz e uma moça, cujos nomes nem vale a pena mencionar.
    Depois de tomarem todas, a mocinha e o rapaz, que já estavam “pra lá de Bagdá”, foram pra debaixo do edredom, é claro!
    A garota, depois de alguns instantes, aparentemente, “apagou”, mas, o rapaz estava muito aceso e, segundo alguns espectadores que acompanharam tudo pela tevê fechada e pelas cenas amplamente divulgadas e exploradas pela emissora de Televisão Rede Record, que, diga-se de passagem, possui um programa semelhante, dão conta de que ele teria supostamente abusado sexualmente dela enquanto ela dormia.
    O fato caiu nas redes sociais feito um estopim e o rapaz foi expulso do programa, o motivo alegado pelo Pedro Bial foi: “ele foi expulso por conduta inapropriada”.
    Todas as evidências apontam que ela consentiu e até instigou o jovem durante toda a festa para o ato libidinoso, por isso, o fato, do meu ponto de vista foi consensual, ambos embriagados, foram para debaixo do abominável edredom das trevas.
    Óbvio que o ato cometido por ele, se é que a bela adormecida dormiu mesmo, é condenável e ele deve responder pelo que fez, contudo, ela também deveria ser expulsa do programa, pois também manteve conduta inapropriada.
    Mas, por que será que ela ficou? Simples de entender: no dia seguinte a mocinha acorda com a cara da Madre Tereza de Calcutá, diz que não se lembra de nada, deixa o rapaz em maus lençóis, levando- o a ser expulso do programa e ela passa por vitima.
    Na noite de ontem, o apresentador Bial, com a cara mais lavada do mundo inicia o programa afirmando que a jovem afirma que não houve nada demais, que tudo não passou de um mal entendido.
    Mas cadê o rapaz? Se nada aconteceu, se tudo foi consentido, por que ele foi expulso?
    A Rede Globo comprou o silêncio da jovem em troca de sua permanência na casa, pois se ela representasse o caso perante a justiça o programa sofreria sérias consequências… Ela fica, ele sai, tudo continua igual. Nenhum dos participantes toca no assunto! A Rede Globo dá um cala boca geral na rapaziada, assunto encerrado.
    E, assim, os heróis do Pedro Bial continuam sua mais ridícula saga pela tevê.
    Plim…Plim

    (Cassiane Schmidt)

    1. Cassiane Schmidt
      Ótima analise, extamente, concordo com tudo o que você disse;"um eality show com chimpanzés seria bem mais interessante" essa frase eu adorei, daria uma audiência e tanto para essa emissora.
      O que o dinheiro não faz, em troca de futuros comtratos profissionais e a apermanência na casa, faz com que uma pessoa fique calada, mediante um ato tão grave e imoral, que país é esse? É O BRASIL, terra que segundo Carlos Nascimento de pessoas com pouca ou nenhuma inteligência.

      GOSTEI DO SEU COMENTÁRIO, NOS ESCVREVA SEMPRE!

  4. Todos nós deveríamos processar essa indústria maligna por ter manipulado o último debate entre Collor e Lula. Isso está provado no documentário "Muito além do cidadão Kane".

    Quantas pessoas tiveram sua vida arruinada por isso. Eu mesmo sou uma delas. Se procurarmos na Internet, " quantas pessoas se suicidaram por causa desse golpe, são mais de 1.200!.

    Agora eu pergunto: Onde é que está o maçom Roberto Marinho por ter feito isso aos brasileiros. È, agora ele foi se juntar com Albert Pike, e o lugar nem preciso dizer.

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