Pré-candidato republicano nos EUA diz crer em teorias apocalípticas

Líder nas pesquisas no
Estado que abre a disputa pela candidatura republicana à presidente dos EUA,
Ron Paul teme que a ONU assuma o controle sobre a emissão de dinheiro nos EUA.Em campanha para o cáucus
(assembleia eleitoral) de 3 de janeiro em Iowa, Paul tem alertado para a erosão
das liberdades civis no país, para o risco de um colapso econômico semelhante
ao da União Soviética, e para incidentes de violência nas ruas.

Paul, que tem 76 anos e é
deputado pelo Texas, já escreveu um livro propondo o fim do Federal Reserve
(Banco Central dos EUA), e insiste nessa tese durante a campanha. “Não só
auditaremos o Federal Reserve, podemos também restringir o Federal
Reserve”, disse Paul nesta semana a cerca de cem admiradores nesta pequena
cidade de Iowa.
O político também enfrenta
questionamentos por causa de escritos racistas atribuídos a ele há duas
décadas, mas que ele diz terem sido de autoria de “ghost writers”.
Paul desponta como um
azarão na corrida presidencial norte-americana, mas analistas dizem que suas
ambições podem ser solapadas por suas ideias heterodoxas.
Ele defende, por exemplo,
reduzir gastos de Defesa e retirar as tropas norte-americanas do exterior.
Rivais republicanos dizem que essa postura isolacionista e antibelicista é
perigosamente ingênua.
No âmbito econômico,
analistas alertam que suas propostas – redução drástica de gastos públicos,
eliminação do Federal Reserve e retomada do padrão ouro – fariam o país voltar
à recessão.
“Paul atrai as
pessoas cujo conhecimento das grandes questões é superficial, ele vê
conspirações onde elas não existem”, disse Greg Valliere, estrategista
político da empresa de análises Potomac Research Group. “Se ele for bem em
Iowa, o que é provável, será um enorme constrangimento para os
republicanos.”
Segundo as pesquisas, Paul
disputa acirradamente a liderança em Iowa, e tem a campanha mais bem
organizada. Seus comícios atraem partidários entusiasmados, e também indecisos.
Seu discurso agrada desde simpatizantes do movimento direitista Tea Party até
os esquerdistas do Ocupe Wall Street.
Mas, à esquerda, alguns
eleitores ficam desanimados com sua defesa incondicional do livre mercado. Num
evento de campanha nesta semana, ele levou uma eleitora às lágrimas ao defender
que os planos de saúde sejam dispensados de cobrir doenças pré-existentes.
“É como se eu morasse
na costa do Golfo (do México) e não contratasse um seguro até que eu visse um
furacão”, disse Paul, cuja base eleitoral foi devastada por um furacão em
2008.
A mulher que fez a
pergunta disse que teve um câncer de mama tratado pelo plano, mas que várias
amigas suas não tiveram a mesma sorte. “Eu vi três amigas morrerem por não
terem seguro”, disse Danielle Lin, registrada como eleitora democrata, mas
que neste ano cogita apoiar um republicano. “Ninguém consegue pagar o
seguro privado, ninguém consegue, e (quem não consegue) morre.”
APOCALÍPTICO
Paul beira o apocalíptico
quando alerta para os perigos do endividamento público e do enfraquecimento do
dólar.
Ele traça paralelos entre
a atual situação nos EUA e a época do colapso econômico e social da União
Soviética. Sua proposta contra isso é cortar 1 trilhão de dólares dos gastos
públicos, reduzindo o orçamento federal em mais de um terço, e fechando os
ministérios de Educação, Energia, Comércio, Interior e Habitação.
Nesta semana, Paul disse
que o Federal Reserve está fadado a “resgatar” a zona do euro, e que
isso acabará levando os EUA a entregarem o controle da sua própria moeda à ONU.
“Essa crise monetária
é bem conhecida dos banqueiros internacionais. Eles querem que a ONU venha
resolver o problema”, afirmou. “O dólar acabará se desintegrando e
sendo assumido. Mas não quero que a ONU emita essa moeda.”
Economistas observam que a
proposta de reindexar o valor do dólar à cotação do ouro, algo que Paul há anos
propõe, é que faria os EUA abandonaram o controle sobre a moeda.
“Continuaríamos tendo
política monetária-ela seria estabelecida pelos garimpeiros da África do Sul e
Uzbequistão, e não por burocratas em Washington”, disse Michael Feroli,
economista chefe do JPMorgan para os EUA.
“Se você gosta do que
a Opep significa para o preço do petróleo, vai adorar o que o padrão ouro faria
com os mercados financeiros.”
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