China anuncia manobras navais no Pacífico após aumento de tensão com EUA

O Ministério da Defesa da
China anunciou nesta quinta-feira a realização de exercícios militares navais
em águas do Oceano Pacífico nos próximos dias, após o presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, divulgar no último dia 16 o aumento da presença militar
americana na Austrália, o que irritou as autoridades de Pequim.

Em um breve comunicado, o
ministério chinês esclareceu que os exercícios anunciados serão manobras de
rotina, “não dirigidas contra nenhum país ou alvo em particular”, mas
os analistas destacam a coincidência temporal dessas ações com as crescentes
tensões da China com os Estados Unidos.
O Ministério da Defesa
chinês não especificou o local exato das manobras, nem quantos navios
participarão. A emissora de televisão japonesa “NHK” informou que
seis navios da Marinha chinesa, entre eles um destróier antimísseis, foram
detectados perto das ilhas de Okinawa, em direção ao Pacífico.
“Pequim está muito
descontente por ver os EUA envolvidos nas disputas territoriais no Mar da China
Meridional, desafiando nossa soberania territorial em aliança com o Vietnã e
Filipinas”, comentou ao jornal “South China Morning Post” o
analista chinês em assuntos militares Ni Lexiong, após o anúncio das manobras.
Na semana passada, Obama
realizou uma longa viagem pelo Pacífico, que incluiu sua participação em duas
cúpulas, a da Apec, no Havaí, e a da Ásia Oriental, em Bali, onde aproveitou
para dizer que as missões norte-americanas seriam uma prioridade na política de
defesa do Pentágono (Departamento de Defesa americano).
Na Austrália, uma das
escalas da viagem, Obama anunciou que 2,5 mil marines (fuzileiros navais)
americanos seriam destacados ao norte do país para ampliar a presença
estratégica dos EUA no Pacífico ocidental.
O anúncio motivou críticas
da China, que classificou a medida como inoportuna, num momento em que, segundo
Pequim, todos os países devem trabalhar juntos para sair da crise econômica.
O Mar da China Meridional,
principal foco de tensões na região, abriga as ilhas Spratly e Paracel,
reivindicadas pela China e outros países da área, junto ao que se acredita ser
uma das maiores reservas mundiais de petróleo, ainda não exploradas.
Filipinas e Vietnã, outros
dois países que reivindicam parte desses arquipélagos, acusaram a China neste
ano de aumentar as hostilidades na região.
A China acusa os EUA de
manterem uma “mentalidade da Guerra Fria” e pede às partes em
conflito no Mar da China Meridional que negociem diretamente com Pequim, sem
internacionalizar a questão, o que não impediu que o assunto fosse levado por
Obama à mesa multilateral de Bali na semana passada, na Cúpula da Ásia
Oriental.
O ministro das Relações
Exteriores chinês, Yang Jiechi, se reuniu nesta quarta-feira com a
subsecretária de Estado americana, Wendy Sherman, a quem pediu que os dois
países “devolvam as relações bilaterais ao caminho correto”.
“China e EUA devem respeitar mutuamente seus respectivos interesses e lidar
adequadamente com assuntos sensíveis”, destacou.
Fonte:  http://brasilnicolaci.blogspot.com/
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