Porta-voz de órgão rebelde confirma morte de Gaddafi, diz agência

Comandantes das forças
rebeldes da Líbia afirmaram nesta quinta-feira que Muammar Gaddafi, cuja
captura foi reportada mais cedo, não resistiu aos ferimentos e morreu, segundo
agências de notícias e emissoras de TV.
Citado pela
agência France Presse, o porta-voz do CNT (Conselho Nacional de Transição),
órgão político rebelde, Abdel Hafez Ghoga, confirmou a morte do ex-ditador em
Sirte, sua cidade natal.

“Nós
anunciamos ao mundo que Gaddafi foi morto pelas mãos da revolução”, disse
ele. “É um momento histórico. É o fim da tirania e da ditadura. Gaddafi
encontrou seu destino”.
O chefe
militar do CNT, Abdul Hakim Belhaj, também disse à rede qatariana Al Jazeera
que Gaddafi havia morrido devido à gravidade de seus ferimentos durante sua
captura em Sirte.
À agência de
notícias Reuters, Abdel Majid Mlegta, também do CNT, afirmou que Gaddafi foi
capturado e ferido nas duas pernas, quando tentava fugir em um comboio atacado
por caças da Otan, a aliança militar do Ocidente.
“Ele
também foi atingido na cabeça”, disse. “Houve muitos disparos contra
seu grupo e ele morreu”.
Não havia
confirmação independente sobre suas declarações.
Em Bruxelas,
a Otan informou que ainda estava checando os relatos de captura de Gaddafi na
Líbia.
“Estamos
averiguando e avaliando a situação”, disse uma autoridade da Otan. 
“Claramente esses são desdobramentos muito significativos, que levaremos
tempo para confirmar. Se for verdade, este é verdadeiramente um dia histórico
para o povo da Líbia.”
Gaddafi teve
sua prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI,
em Haia) sob a acusações de ordenar a morte de centenas de civis. Ele estava
foragido desde fevereiro deste ano, após uma onda de protestos populares na
Tunísia e no Egito derrubarem seus respectivos regimes.
CAPTURA
As forças do
CNT anunciaram hoje que Gaddafi havia sido capturado e ferido.
Segundo a
emissora de TV britânica BBC, Gaddafi foi detido pelos rebeldes enquanto
tentava escapar de Sirte, sua cidade natal, em um comboio. Um combatente do CNT
declarou que ao ser capturado Gaddafi gritou: “Não atirem, não
atirem.”
Um site de
notícias pró-regime negou a captura de Gaddafi.
Imagens
divulgadas pela emissora americana CNN mostravam líbios comemorando pelo país
as notícias de que o ditador foi detido.
De acordo
com a France Presse, Aboubakr Younès Jaber, ministro da Defesa do regime, foi
morto em Sirte hoje. O médico Abdou Raouf afirmou ter “identificado o corpo”,
levado nesta manhã para o hospital de campanha local.
VITÓRIA EM
SIRTE
Forças
rebeldes da Líbia capturaram nesta quinta-feira as últimas posições mantidas
pelos partidários de Muammar Gaddafi em Sirte, cidade natal do ditador.
“Sirte
foi liberada. Não há mais forças de Gaddafi”, disse o coronel Yunus
Abdali, chefe de operações na parte oriental da cidade. “Agora estamos
caçando seus combatentes, que estão em fuga”.
Outro
comandante da linha de frente confirmou a captura da cidade costeira no Mediterrâneo,
que era o último bastião de importância de combatentes pró-Gaddafi.
A ofensiva
final contra a cidade natal do ditador começou por volta das 8h no horário
local e durou cerca de 90 minutos antes de os soldados leais ao regime fugirem.
Pouco tempo
antes, cerca de cinco veículos de combatentes gaddafistas tentaram escapar da
cidade, mas os passageiros foram mortos pelos soldados do CNT.

Os rebeldes
realizavam uma grande operação de busca na cidade, revistando prédios e
residências na tentativa de encontrar algum combatente leal ao regime que
pudesse estar escondido.

Mais cedo,
um comandante do CNT já havia afirmado que a queda de Sirte era iminente,
depois que suas forças entraram no último bairro da cidade que não estava sob
seu controle.
“É o
último dia da batalha, dentro de algumas horas anunciaremos a queda de
Sirte”, declarou o tenente-coronel Hussein Abdel Salam, da Brigada
Misrata.
A captura de
Sirte era considerada pelos rebeldes essencial para a consolidação da queda do
regime de Muammar Gaddafi, há 42 anos no poder. O CNT afirmou que só começaria
a instauração de uma democracia na Líbia quando todo o território estivesse sob
seu controle.
FUGA
Pessoas
ligadas a autoridades do regime de Gaddafi fugiam da cidade de Sirte desde
segunda-feira (17), entre elas a mãe e o irmão de Mussa Ibrahim, porta-voz de
Gaddafi, informou um comandante do CNT.
“São
parentes de autoridades do regime. A mãe e o irmão de Musa Ibrahim estão entre
eles”, afirmou Wissam ben Hamidi.
Carro de luxo é visto estacionado em casa
danificada pelos combates entre rebeldes e gaddafistas em Sirte
Quase 150
combatentes do novo regime se reuniram ao redor dos veículos, o que provocou
cenas de confusão, antes que as famílias fossem retiradas rapidamente do local.
De acordo com Hamidi, comandante das operações na frente leste de Sirte, alguns
ocupantes dos veículos eram pessoas procuradas pelos rebeldes, mas nenhuma era
considerada importante.
BANI WALID
A cidade
líbia de Bani Walid, que era um dos últimos redutos fiéis a Gaddafi, a 170 km
ao sudeste de Trípoli, foi “totalmente libertada” na segunda-feira
(17), segundo anúncio de Ahmed Bani, um dos chefes militares do CNT.
De acordo
com moradores, homens leais a Gaddafi recuaram devido ao avanço das forças
rebeldes. Segundo relato do morador Moammar Warfali, combatentes do governo de
transição cercaram o centro, um hospital e vários edifícios que eram usados por
franco-atiradores leais a Gaddafi para impedir o avanço.
Bani Walid é
a terra da tribo Warfalla, a maior e uma das mais influentes do país. A cidade
ficou sitiada durante semanas, enquanto os rebeldes negociavam uma rendição com
os líderes tribais. 
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