Grécia deixa o mundo desesperado com um possível calote inevitável

O ministro grego da Economia, Michalis Chryssohoidis,
afirmou que a situação de seu país “é bastante desesperadora”, em uma
entrevista que será publicada na quinta-feira na revista alemã Die Zeit.
“Nossa situação é bastante desesperadora, porque reduzimos de forma sempre
mais drástica a renda das pessoas. Os gregos vivem a situação atual de forma
muito dolorosa”, declarou à revista, que divulgou um trecho da entrevista.

“Quando veremos a luz no fim do túnel? Não
podemos responder”, completou Chryssohoidis. “O governo (grego) está
totalmente isolado com esta política de reformas. A oposição afirma que poderia
renegociar nossas condições de crédito. E a esquerda radical quer abandonar a
UE. Estamos sozinhos”, afirma.
“Nosso principal problema é o da insegurança,
alimentada pelas especulações incessantes no mundo inteiro sobre uma falência
iminente do país. Uma falência em um país da zona euro seria uma catástrofe
porque teria um efeito dominó. Mas se for apenas por esta razão, não podemos
decidir sozinhos sobre uma suspensão de pagamentos”, completou.
Entenda

No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos
bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de
financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o
sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os
efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as
dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar
os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas.
A primeira a entrar em colapso foi a Grécia, cuja
dívida pública alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a
148,6% do PIB. Com a luz amarela acesa, as economias de outros países da região
foram inspecionadas mais rigorosamente. Portugal e Irlanda chamaram atenção por
conta da fragilidade econômica. No entanto, o fraco crescimento econômico e o
aumento da dívida pública na região já atingem grandes economias, como Itália
(120% do PIB) e Espanha.
Um fundo de ajuda foi criado pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), com influência da
Alemanha, país da região com maior solidez econômica. Contudo, para ter acesso
aos pacotes de resgates, as nações precisam se adaptar a rígidas condições
impostas pelo FMI. A Grécia foi a primeira a aceitar e viu manifestações contra
os cortes de empregos públicos, programas sociais e aumentos de impostos.
Os Estados Unidos atingiram o limite legal de
endividamento público – de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) – no
último dia 16 de maio. Na ocasião, o Tesouro usou ajustes de contabilidade,
assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando
normalmente. O governo, então, passou por um longo período de negociações para
elevar o teto. O acordo veio só perto do final do prazo (2 de agosto) para
evitar uma moratória e prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões
(R$ 3,7 trilhões). Mesmo assim, a agência Standard & Poor’s retirou a nota
máxima (AAA) da dívida americana.
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