Especialista Michael Barkun ironiza teoria da conspiração sobre 11 de setembro

Um
avião bate em uma das torres mais altas de uma das maiores cidades do mundo. Na
hora, a explicação que parece mais simples é a de um acidente aéreo – hipótese
levantada na manhã do dia 11 de setembro de 2001. Entretanto, a teoria só foi
cogitada durante os 17 minutos entre a colisão do voo 11 da American Airlines
com a Torre Norte do World Trade Center e a colisão do voo 77 com a Torre Sul
do mesmo complexo. 

A partir daquele momento, os Estados Unidos e o mundo sabiam
que estavam diante de algo muito mais complexo do que simples desastres aéreos
– algo que era difícil de combater, e principalmente difícil de explicar.
Tão
perplexos quanto o mundo inteiro, autoridades do governo tentaram explicar ao
povo americano o que havia motivado tamanha violência. Em seu primeiro discurso
após os ataques, o então presidente dos EUA, George W. Bush, falou sobre
terrorismo, associou-o ao islamismo, conceituou a Al-Qaeda – “está para o
terrorismo assim como a máfia está para o crime” – e identificou seu
líder, “um homem chamado Osama bin Laden”. Por fim, Bush declarou que
os EUA empregariam “todos os recursos de que dispomos (…) para impedir
as ações e derrotar a rede mundial de terror”.
Aos
olhos de muitas pessoas, inclusive americanos, a explicação do presidente
simplesmente não fazia sentido diante da dimensão dos atentados. Assim, ao
longo dos últimos dez anos, surgiram diversas teorias conspiratórias sobre o
que teria motivado os ataques. Algumas foram modificadas à medida que novas
provas surgiam, mas todas sugeriam que o governo dos EUA tinha algum
envolvimento com a tragédia.
De
simples e diretas, muitas dessas teorias se tornaram mais complexas até do que
a explicação oficial para os atentados. O professor emérito de ciência política
Michael Barkun, da Faculdade de Maxwell de Cidadania e Relações Públicas da
Universidade de Syracuse, falou ao Terra sobre as teorias conspiratórias
criadas a partir do 11/9. Para ele, “essas são situações onde o efeito é
enorme, mas a causa oficial não parece grande o suficiente para
produzi-lo”. Segundo Barlun, está por trás das teorias conspiratórias uma
necessidade de explicar o mundo. Leia abaixo a entrevista completa.
Terra
– Por que as pessoas criam teorias conspiratórias?

Michael Barkun – Existem muitas razões, mas eu acredito que a maior
razão é para tentar atribuir um sentido ao mundo. Obviamente, as pessoas querem
que o mundo faça sentido, elas querem ser capazes de entendê-lo, e uma das
coisas que as teorias conspiratórias fazem é simplificar o mundo. Elas pegam
uma realidade que pode parecer caótica e complicada, e dizem que há uma causa
simples. Então elas estabelecem uma causa para eventos que as pessoas não
conseguem explicar satisfatoriamente de outra forma. E isso fornece um
benefício psicológico para as pessoas que acreditam nessas teorias.
Terra
– Ao mesmo tempo em que as teorias conspiratórias tentam explicar o mundo
simplificando-o, elas parecem ser construções mentais mais complexas. Por um
lado, uma teoria da conspiração é algo simples, mas por outro, parece ser
difícil que uma teoria dessas seja criada. Como o senhor explica esse fenômeno?

Michael Barkun – Algumas teorias conspiratórias se tornaram bastante
complexas – por exemplo, algumas das teorias que foram criadas para tentar
explicar os ataques de 11/9 são muito mais complicadas do que a explicação
oficial. Eu acredito que essas teorias complexas são criadas em situações onde
você tem eventos em que as pessoas, pelo menos algumas, acham difícil de
aceitar a explicação oficial. Porque a relação entre os efeitos – que são as
coisas ruins que aconteceram – e a causa que foi dada oficialmente não é considerada
aceitável ou persuasiva. O que eu quero dizer com isso é que essas são
situações onde o efeito é enorme, mas a causa oficial não parece grande o
suficiente para produzi-lo. Se você pegar o 11/9, por exemplo, foi um evento no
qual as consequências foram tremendas. Você tem três mil pessoas mortas, parte
do Pentágono destruída, enorme perda de vidas e propriedade, e você pensa
“o que causou isso, segundo a explicação oficial?”: 19 caras sem
qualquer distinção particular usando estiletes. Algumas pessoas, eu acredito,
acharam extremamente difícil de aceitar que as perdas pudessem ter sido
causadas por esses 19 “ninguém”, 19 pessoas das quais elas nunca
haviam ouvido falar, de alguma organização sobre a qual a maioria dos
americanos afirmou nunca ter ouvido falar antes de 9/11, usando armas não mais
sofisticadas do que estiletes. Então, para eles, tornou-se mais satisfatório
aceitar uma complicada teoria conspiratória do que aceitar a explicação
oficial. A mesma coisa eu acredito que se aplicou às teorias conspiratórias que
tratam sobre o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963, onde você tem
esse presidente jovem e dinâmico assassinado por Lee Harvey Oswald, que era um
ninguém, um perdedor, um preguiçoso, e a ideia de que esse presidente dinâmico
pudesse ser assassinado por alguém assim era algo, de novo, que eu acho que
para muitas pessoas foi difícil de aceitar, e foi mais fácil para elas
acreditar que alguma organização o havia matado, fosse o crime organizado,
fossem os comunistas, ou outros. Então, há situações em que pode ser mais
satisfatório aceitar uma complexa teoria conspiratória do que uma simples.
Terra
– Em maio deste ano, os Estados Unidos mataram Osama Bin Laden, mas resolveram
não mostrar as fotos do terrorista morto. O que o senhor pensa sobre isso?

Michael Barkun – Eu acredito que a impressão deles foi de que,
aparentemente as imagens eram bem sangrentas, e que aquelas imagens inflamariam
pelo menos algumas opiniões no mundo árabe, e que seria melhor se elas não
fossem divulgadas. Meu palpite é que, mesmo que as fotos tivessem sido
divulgadas, ainda haveria teorias conspiratórias, ainda haveria pessoas que
diriam “esse não é realmente o corpo de Bin Laden”, ou “eles
alteraram as fotos”, algo assim.
Terra
– A morte de Osama Bin Laden teve alguma intenção – ou efeito – de mudar a
opinião daqueles que acreditam em teorias conspiratórias sobre o 11 de
setembro?

Michael Barkun – As pessoas que acreditam em teorias conspiratórias
sobre o 11/9 – a maioria delas, pelo menos – acredita que Bin Laden não estava
envolvido. Então, matar Bin Laden não teria qualquer efeito em quem acredita
nessas teorias. Há pouco tempo, eu participei de um evento em Nova York sobre
teorias conspiratórias do 11/9. Havia vários crentes dessas teorias na plateia,
e eu posso dizer a vocês que eles acreditam tão fortemente em suas teorias
conspiratórias depois da morte de Osama Bin Laden quanto acreditavam antes.
Então, eu penso que sua morte não teve qualquer efeito sobre quem crê nas
conspirações.
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4 thoughts on “Especialista Michael Barkun ironiza teoria da conspiração sobre 11 de setembro”

  1. Conversa fiada! As conspirações existem sim! São inclusive denunciadas por YAHUH ULHIM!

    veja:

    " Tehillim (Salmos) 2:2 – Os chefes das nações reúnem-se mais os seus serventes espirituais,para
    conspirarem contra YAHUH ULHÍM, e contra hol-MEHUSHKHÁY (o Messías)!"

    Mas vejam o que tem YAHUH UL, a dizer para eles:

    "Tehillim 2:3 – Quebremos as suas correntes, dizem,deixemos de ser escravos de YAHUH ULHÍM! 4Mas YAHUH ULHÍM no céu simplesmente RI, e diverte-se com os seus mesquinhos planos."

    Mas como eu ja disse, e repito, eles sabem que nós sabemos, e tentam nos despitar alarmando, apontando, tendenciando, notícias que envolvem as teorias da conspiração, para doutro lado encobrirem ações de maior importancia real.
    Por isso digo, e pesso ao amigo blogueiro, que faça inclusive uma campanha alertando aos demais, para ficarem atentos as ciladas que os conspiradores armam para nos despitar!

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