Entenda como iniciou a Crise Econômica Mundial, segundo o mercado financeiro

As bolsas de todo o mundo iniciaram a semana sob forte turbulência. Nesta segunda-feira (8), os mercados operam com fortes quedas – e a preocupação de todos é com algumas das maiores economias do mundo.
Os temores de que os problemas fiscais nos Estados Unidos e em várias economias europeias levem a um menor crescimento mundial

leva os investidores a “fugirem” das ações, consideradas ativos de maior risco, e faz os preços caírem.

Entendas as crises que preocupam os mercados
A crise nos Estados Unidos
O governo dos Estados Unidos tem uma dívida de cerca de US$ 14,3 trilhões, que quase se tornou impagável na semana passada. Um acordo de última hora permitiu que o país aumentasse o teto da dívida e evitou um “calote” nesses papeis.
Mas esse acordo prevê que o país corte de forma representativa seus gastos, o que pode abalar a já complicada situação econômica do país e das demais economias mundiais. Com menos gastos do governo, a tendência é que a economia cresça menos – e compre menos produtos e serviços do resto do mundo.
Na semana, os EUA também revisaram para baixo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, dando sinais de uma recuperação lenta e difícil.
“Acreditamos agora que há uma chance de 35% de recessão nos Estados Unidos no ano que vem, aproximadamente o dobro do que calculávamos no segundo trimestre”, escreveu a economista do Bank of America Merril Lynch, Michelle Meyer.
Na sexta-feira, houve novo baque: a agência de risco Standard & Poor’s rebaixou  a nota da dívida dos Estados Unidos, de “AAA” para “AA+”, e afirmou que pode voltar a reduzir a nota nos próximos 12 a 18 meses. A justificativa da agência é que o acordo feito para evitar o calote pode enfrentar dificuldades para ir adiante em seus próximos passos, por conta das complicada negociações políticas no país.
Com o rebaixamento da nota, os títulos da dívida do governo americano passam a ser considerados investimentos menos seguros, o que pode fazer com que o governo tenha que oferecer taxas de juros mais altas para quem for comprá-los. Essa taxa maior, por sua vez, pode se refletir em aumento nos juros pagos pelos consumidores e empresas norte-americanos, encarecendo o crédito e reduzindo a capacidade da economia de se recuperar.
No fim de semana, representantes do G20, as maiores economias mundiais, participaram de uma teleconferência em que se comprometeram a “fazer todo o possível” para garantir a estabilidade econômica mundial e evitar um aprofundamento da crise. Para reduzir a pressão sobre a economia norte-americana, os países teriam afirmado que vão manter os títulos da dívida dos EUA que já possuem. Isso porque uma venda generalizada também poderia forçar uma alta acentuanda nas taxas de juros pagas.
Crise na Europa
Na Europa, a dívida dos países também é o problema. Depois dos pacotes de resgate da Grécia, Irlanda e Portugal, a preocupação se volta à Espanha e à Itália, países que também saíram da turbulência econômica iniciada em 2008 com grandes dívidas e contas desequilibradas.
Essas duas economias, no entanto, são consideradas grandes demais para serem resgatadas. Terceira maior economia da zona do euro, a Itália tem uma dívida de cerca de 1,8 trilhão de euros, valor que dificilmente seria assumido pelos demais países, como ocorreu no caso das economias “menores”, com ajuda também do FMI. A Espanha, por sua vez, é a quarta maior economia da região.
Itália e Espanha anunciaram nos últimos dias novas medidas de política fiscal e estrutural, para tentar reduzir o déficit público. Sem essa reestruturação da dívida e fortes medidas de contenção de gastos, o temor é que esses países enfrentem dificuldades para pagar suas contas, o que pode resultar em um calote. As mesmas medidas de contenção de gastos, no entanto, podem fazer com que a recuperação da economia europeia perca força.
Para evitar o pior cenário, neste domingo o Banco Central Europeu (BCE) anunciou estar pronto para implementar ativamente o seu programa de compra da dívida pública. O órgão, no entanto, não indicou a dívida de qual país planeja comprar.
Também no domingo, os chefes financeiros das maiores economias do mundo prometeram tomar qualquer ação que for necessária para estabilizar os mercados. O G7 – formado por EUA, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão – disse, após consultas telefônicas, que pretende manter contato e que está pronto para assegurar a estabilidade e a liquidez dos mercados financeiros.

 Publicado em: G1

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