Censura da Internet: Reino Unido poderá restringir uso das redes sociais durante protestos

O Reino Unido está analisando interromper os serviços de mensagens online como Blackberry Messenger e Twitter durante os incidentes de violência no país, disse nesta quinta-feira o primeiro-ministro David Cameron. A medida foi largamente condenada quando usada por outros países.

Autoridades egípcias desligaram serviços de celular e internet durante protestos em massa contra o ex-presidente Hosni Mubarak em janeiro. A China também corta comunicação online quando considerada subversiva.

A polícia afirma que as redes sociais foram usadas pelos manifestantes para coordenar saques durante os quatro dias de desordem na Inglaterra.

“Estamos trabalhando com a polícia, os serviços de inteligência e a indústria para ver se seria correto parar a comunicação através desses sites e serviços quando sabemos que estão tramando planos de violência, desordem e criminalidade, afirmou Cameron durante sessão de emergência no Parlamento.

Cameron, que enfrenta uma crise que pode definir seu mandato, prometeu ainda que a repressão as gangues de rua serão uma prioridade nacional e que os baderneiros responsáveis pelos distúrbios dos últimos dias serão perseguidos e punidos.

“A reação já começou para valer”, disse Cameron na sessão extraordinária, admitindo que o número de policiais e suas táticas foram inadequadas no início dos distúrbios, que começaram em Londres e depois se espalharam para outras cidades inglesas.

“Quanto à minoria fora da lei, os criminosos que pegam o que conseguem, digo isso: vamos monitorá-los, vamos encontrá-los, vamos indiciá-los e vamos puni-los. Vocês vão pagar pelo que fizeram”, disse o premiê.

ameron está sob pressão para aliviar recentes medidas de austeridade econômica, reforçar o policiamento e oferecer mais oportunidades para comunidades carentes, já que as disparidades de renda e oportunidades foram apontadas como uma motivação para os distúrbios.

Evitando citar a delicada questão dos cortes de verbas para a polícia, Cameron autorizou maiores poderes para a força policial, inclusive o direito de exigir que suspeitos tirem máscaras ou capuzes que estejam usando. Antes, ele já havia autorizado o uso de cassetetes e jatos de água.

Cameron disse que manterá nas ruas de Londres até o fim de semana cerca de 16 mil policiais, e que admitiria convocar militares para funções secundárias, a fim de liberar policiais para a repressão aos distúrbios.

“Não se trata de pobreza, e sim de cultura”, disse ele. “Uma cultura que glorifica a violência, mostra desrespeito pela autoridade e diz tudo sobre os direitos e nada sobre as responsabilidades”, afirmou o premiê, que prometeu indenização a quem tenha sofrido prejuízos e não tenha seguro.

Os distúrbios começaram no sábado, após protestos pela morte de um homem afro-caribenho em um incidente com policiais. A mobilização de reforços policiais fez com que a noite de quarta para quinta-feira já fosse mais tranquila do que as quatro anteriores.

Por causa da crise, Cameron interrompeu suas férias na Itália e convocou o Parlamento em meio a seu recesso de verão. A polícia deteve 1.200 pessoas em vários lugares da Inglaterra.

*Com informações da Reuters e Agência O Globo

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