Israel é “célula cancerosa” que infecta a região, diz Ahmadinejad

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, comparou Israel a uma “célula cancerosa” que infecta a região do Oriente Médio, ao condenar a repressão às manifestações palestinas pela “Nakba”, que deixou ao menos dez mortos e centenas de feridos.
“No aniversário de criação deste regime, as pessoas se manifestaram em diferentes lugares e houve mortos e feridos. Mais uma vez, este regime mostrou sua verdadeira natureza”, declarou Ahmadinejad em entrevista à TV estatal iraniana.

A reação do líder persa chega após um dia de intensos confrontos entre israelenses e palestinos na faixa de Gaza, na Cisjordânia e nas fronteiras de Israel com o Líbano e a Síria.
A “Nakba” –catástrofe, em árabe– representa para os palestinos o dia da criação do Estado de Israel, em 1948.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, advertiu que o país está determinado a defender suas fronteiras. “Dei ordem ao Exército para atuar com a maior prudência possível, mas também impedir que nossas fronteiras sejam forçadas”, afirmou em uma declaração transmitida pela imprensa.
Em pronunciamento na TV, primeiro-ministro de Israel disse que ordenou ao Exército que defenda as fronteiras do país
Mahmoud Abbas, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), também reagiu aos confrontos e disse que o “sangue derramado pela liberdade dos palestinos não será em vão”.
“A vontade do povo é mais forte que o poder das forças opressivas”, afirmou ao referir-se às pelo menos dez vítimas deste domingo nos protestos do dia que lembra a expulsão de moradores e a perda de terras pela criação em 1948 do Estado de Israel.
Além das mortes, 210 pessoas ficaram feridas. O Exército israelense reprimiu os protestos a tiros quando os manifestantes, em sua maioria palestinos de campos de refugiados, se aproximaram da fronteira, que atacaram os soldados com pedras.
DIA DA NAKBA
As manifestações palestinas em virtude da “Nakba” (catástrofe) geraram uma grande onda de violência neste domingo, deixando ao menos dez mortos e centenas de feridos.
Presidente da Autoridade Nacional Palestina também reagiu à crise ao afirmar que o “sangue derramado não será em vão”
Os incidentes mais graves ocorreram nas zonas fronteiriças de Síria e Líbano. O Exército israelense disparou contra manifestantes palestinos vindos da Síria que haviam penetrado em Golã, segundo fontes dos serviços de segurança do Estado hebreu.
A data simbólica representa o êxodo de 760 mil pessoas em 1948, o que deu início a questão dos refugiados palestinos, que atualmente chegam a 4,8 milhões espalhados principalmente entre Jordânia, Síria, Líbano e nos territórios palestinos na Cisjordânia e faixa de Gaza.
Trata-se de um dos incidentes fronteiriços mais graves entre Israel e seus vizinhos desde a guerra árabe-israelense de 1973.
CONFRONTOS
Na fronteira com o Líbano, na região de “Marun ar Ras”, forças israelenses abriram fogo quando dezenas de manifestantes cruzaram o cordão de isolamento montado pelo do Exército libanês e começaram a lançar pedras contra o território de Israel.
Oded Balilty/Associated Press
Manifestante palestino em meio aos confrontos com forças israelenses que deixaram mortos e feriram dezenas
Unidades do Exército israelense foram colocadas em alerta máximo e em coordenação total com as Forças das Nações Unidas (posicionadas no sul do Líbano), informou a imprensa local.
Nos territórios palestinos, mais de 90 pessoas ficaram feridas ao norte da faixa de Gaza por disparos do Exército durante uma marcha em direção ao terminal fronteiriço israelense de Erez.
Em Kalandia (Cisjordânia), um posto de controle na entrada de Jerusalém, ao menos 17 palestinos ficaram feridos em choques violentos e outros nove também se feriram em Hebron (sul da Cisjordânia).
ISRAEL ACUSA A SÍRIA
O Exército israelense acusou o regime sírio de haver “organizado esta manifestação violenta para tentar desviar a opinião pública mundial do que acontece no país.
A Síria abriga 470 mil refugiados palestinos, e em anos anteriores o governo, que agora enfrenta turbulência interna aguda, impediu manifestantes de chegarem às cercas da fronteira.
“Parece que se trata de um ato cínico e descarado da liderança síria para propositalmente criar uma crise na fronteira, de modo a desviar as atenções dos problemas internos muito reais que o regime enfrenta”, disse um alto funcionário governamental israelense que pediu anonimato.
Please follow and like us:

Você pode gostar também

Deixe uma resposta